A Promessa de Deus a Abraão: Uma Análise da Relação entre Fé e Política

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A Promessa de Deus a Abraão - Uma Análise da Relação entre Fé e Política

A promessa de Deus a Abraão, registrada na Bíblia, é um dos eventos mais significativos da história da salvação. Essa promessa, que inclui a dádiva da terra de Canaã ao povo de Deus, foi cumprida por meio de Moisés, que liderou os israelitas na conquista da terra prometida. No entanto, ao longo da história, essa promessa foi interpretada de maneiras diferentes, inclusive pela Teoria do Direito Divino dos Reis, que defende que um Estado foi criado por Deus com um rei absolutista. Mas como essa teoria se relaciona com a promessa original de Deus a Abraão? E qual é o significado dessa promessa para a compreensão do Estado e da governança? Este artigo busca explorar essas questões e oferecer uma reflexão sobre o Estado Teocrático e sua relação com a promessa de Deus a Abraão.

Palavras-chave: Estado, Povo, Cidadão, Teoria do Direito Divino, Absolutismo.

Introdução

A Teocracia, um regime de governo em que Deus e a religião ocupam um lugar central, é um conceito complexo e multifacetado. Etimologicamente, a palavra "teocracia" deriva do grego "theós" (Deus) e "cracia" (governo). Nesse sistema, as decisões políticas e jurídicas são baseadas nas regras da religião oficial, e a religião exerce o poder político de forma direta. Os membros do clero muitas vezes ocupam cargos públicos, e as decisões dos governantes e juízes são controladas pelo clero.

A diferença entre Estado Teocrático e Estado Confessional é fundamental. Enquanto o Estado Confessional não obriga os cidadãos a serem adeptos da fé do Estado, mas pode oferecer privilégios ou benefícios aos que seguem a religião oficial, o Estado Teocrático exerce uma obrigatoriedade, tornando necessário que os cidadãos sejam adeptos da fé do Estado. Além disso, é importante notar que a Teocracia pode assumir diferentes formas e manifestações, dependendo do contexto histórico e cultural.

Ambos os Estados alegam inspirações divinas, baseadas em interpretações das Escrituras Sagradas e culturas da sociedade de caráter político. Essa "sopa ideológica" combina fé, política, cidadania, patriotismo e cultura, criando uma mistura complexa e multifacetada.

Como observou São Agostinho em "A Cidade de Deus", a relação entre a Igreja e o Estado é complexa e pode variar ao longo da história. Já Thomas Hobbes, em "Leviatã", discutiu a relação entre a religião e o Estado, argumentando que o Estado deve ter controle sobre a religião para manter a ordem social. Por outro lado, John Locke, em "Carta sobre a Tolerância", defendeu a separação entre a Igreja e o Estado, argumentando que a religião é uma questão pessoal e não deve ser imposta pelo Estado.

O conceito de Estado, em si, tem uma longa história. Desde a Grécia antiga, onde era conhecido como "polis", até a Idade Média, onde era chamado de "principados" ou "reino", o Estado sempre foi uma instituição complexa. A palavra "Estado", propriamente dita, foi usada pela primeira vez em literatura política por Nicolau Maquiavel em 1531. Diante disso tudo é fundamental que cada cidadão, especialmente os evangélicos, conceitue o que significa ser cidadão e ser cristão.

  • 1. Moisés - um estadista?
  • 2. A terra que mana leite e mel: uma reflexão sobre a promessa divina
  • 3. A nação espiritual: uma análise da relação entre fé e política
  • 4. A promessa de Abraão não é uma nação, mas um salvador
  • 5. Benditas todas as famílias da terra
  • 6. Canaã geograficamente
  • 7. Filho da promessa
  • 8. A terra que mana leite e mel: um adendo
  • 9. Conclusão

1. MOISÉS - UM ESTADISTA?

Conforme se sabe, pelas Escrituras Sagradas no livro de Êxodo, Moisés conduziu seu povo rude do Egito até a Terra Prometida denominada de Canaã, que mais tarde se tornou o Estado de Israel (BÍBLIA SAGRADA, 1993, Êxodo 1-18). Este período de condução, do Egito à Canaã, levou aproximadamente 40 anos, sendo denominado de êxodo do povo judeu, onde Moisés teve atitudes administrativas rudes porque se tratava de um povo estritamente rude.

No decorrer deste tempo, em pleno deserto, Moisés apresentou Leis Civis e Leis Canônicas que mais tarde se tornaram a base do Estado Israelita (BÍBLIA SAGRADA, 1993, Êxodo 19-24). Moisés era o representante direto de Deus na terra, tinha o Direito Divino de um estadista, tinha poder, tinha prestígio, tinha respeito, era temido, julgava e aplicava condenação às pessoas, e aparentemente estava acima de qualquer lei que ele mesmo apresentava ao povo. Aqui, é importante notar que a ideia de um líder político ter um "Direito Divino" é uma construção histórica que tem sido usada para justificar o autoritarismo e a opressão (LOCKE, 2003, p. 12-15). Na verdade, a autoridade de Moisés vem de sua relação com Deus, e não de um direito divino inerente.

Em termos políticos, era soberano e dotado de poderes absolutos concedidos por Deus, exatamente como eram os reis absolutistas (BOBBIO, 1995, p. 20-25). Mas, é importante questionar se essa comparação é justa. Moisés não era um rei no sentido clássico, e sua autoridade não era baseada no poder militar ou na riqueza, mas sim na sua relação com Deus.

A discussão sobre a teoria do direito divino dos reis é relevante, mas é importante destacar que essa teoria foi desenvolvida posteriormente à época de Moisés (TUCKER, 2013, p. 30-35). Além disso, é importante notar que essa teoria tem sido usada para justificar a opressão e a injustiça, e não para promover a justiça e a igualdade. É curioso observar como, mesmo hoje em dia, alguns políticos ainda se acham investidos de um poder divino, esquecendo-se de que foram eleitos pelo povo e para servir ao povo. Essa vaidade e esse sentimento de superioridade podem levar a abusos de poder e à perda da conexão com a realidade e com as necessidades do povo e distanciamento de Deus.

Os reis absolutistas europeus, como o Rei Sol Luís XIV da França, por exemplo, usaram essa teoria para justificar seu poder absoluto e sua autoridade divina (BOBBIO, 1995, p. 25-30). Mas, é importante lembrar que a liderança de Moisés foi diferente. Ele não era um rei no sentido clássico, e sua autoridade não era baseada no poder militar ou na riqueza.

A forma como Moisés liderou o povo de Israel é um exemplo de liderança baseada na fé e na obediência a Deus. Ele não era um líder que buscava o poder ou a riqueza, mas sim um líder que buscava seguir a vontade de Deus.

A pergunta que resta é: o que Moisés prenunciava para o futuro? Será que ele previu um futuro de liberdade e igualdade, ou será que ele previu um futuro de opressão e autoritarismo? A resposta para essa pergunta é mais complexa do que parece, e requer uma análise mais profunda da figura de Moisés e de seu papel na história.


2. A TERRA QUE MANA LEITE E MEL: UMA REFLEXÃO SOBRE A PROMESSA DIVINA

Antes de mergulharmos na história de Abraão e da Terra Prometida, é fundamental entender o contexto histórico e cultural da região da Mesopotâmia. A Mesopotâmia, que significa "terra entre rios", se localiza entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, atualmente conhecido como Iraque (BÍBLIA SAGRADA, 1993, Gênesis 2:14).

Nos tempos bíblicos, esta região era habitada por muitos povos politeístas, cada cidade tendo seu próprio deus protetor, que se comunicava com os homens por meio dos astros, ventos, chuvas, raios e tempestades (FINKELSTEIN; SILBERMAN, 2002, p. 45-50). Os magos e feiticeiros eram responsáveis por agradar os deuses por meio de rituais.

Os caldeus, um desses povos, acreditavam nas mensagens dos astros, o que os tornou responsáveis pelo desenvolvimento da astrologia (BÍBLIA SAGRADA, 1993, Daniel 1:20).

Na parte sul da Mesopotâmia, junto ao golfo Pérsico, surgiram cidades-estados como Ur, Uruk, Lasgah, Eridu e Nipur. Essas cidades não estavam submetidas a um poder central, mas eram organizadas em regime de associação religiosa, política e econômica sob a figura do Patesi, que era o clérigo da época, representante dos deuses entre os homens (KEMP, 2003, p. 120-125).

Uma das mais importantes cidades era Ur dos Caldeus, devido ao seu solo fértil para o plantio e comércio desenvolvido. Era também portuária, com técnicas avançadas de diques, e dominava a fabricação de tijolos (BÍBLIA SAGRADA, 1993, Gênesis 11:28).

Ao longo dos anos, Ur passou de povos para povos, mediante conquistas. Eram constantes as crises bélicas e religiosas. Toda a região da Mesopotâmia sofria do mesmo problema, desde Ur ao sul até Nínive no extremo norte.

Em meio a esses conflitos e cultura extremamente religiosa, lá estava Abraão, um homem de Deus conhecido como o pai da fé monoteísta dos tempos bíblicos. "Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei" (BÍBLIA SAGRADA, 1993, Gênesis 12:1).

Esta foi a ordem dada ao patriarca que mais tarde passou a ser chamado de Abraão. Significado é pai de um povo para depois pai de um grande povo, respectivamente, como narrado em Gênesis 17:5.

Como Ur dos Caldeus era uma cidade cheia de complicações, sendo provável que até a família de Abraão estivesse envolvida com idolatria, o melhor mesmo era sair desta região, sair da parentela e ir para outra região com melhores condições de vida espiritual.

Em Josué 24:15, se nota advertência em dizer que "... eu e minha casa serviremos ao Senhor", em relação ao que acontecia além do rio Eufrates.

A cidade poderia oferecer violência e idolatria, porém no sentido de infraestrutura de moradia, Abraão estava muito bem localizado em terra fértil de plantio que, para época de uma sociedade agrícola, era o que se tinha de melhor.

Então está aí a missão do patriarca que talvez não tenha gostado, porém aceitou. Foi com sua mulher Sara, que era meia-irmã, e seu sobrinho Ló. Assim, levou parte de sua parentela, bens, escravos e servos que pegou no decorrer do trajeto em Harã até chegar à terra que Deus havia mostrado - vide Gênesis 12:4-5.

Esta terra prometida a Abraão era Canaã, que mais tarde foi chamada por Moisés de Terra Que Mana Leite e Mel, e posteriormente Israel, e a partir de 1948 a fundação do Estado de Israel.

Em Canaã os moradores eram chamados de Cananeus, e Abraão com sua turma eram chamados Hebreus que significa povo do outro lado do rio.

Entre alguns teólogos, nativistas, patriotas e fervorosos da fé; acreditam que a expressão "Terra Que Mana Leite e Mel" pode significar riqueza de produtividade de plantio do solo de Canaã, por ter sido o território que Deus prometeu a Israel.

Embora estivesse cercada por regiões desérticas, de fato, Canaã era uma terra fértil propícia à produção agrícola. Porém o que chama a atenção é que não era tão produtivo quanto o solo da Mesopotâmia para ser chamada assim por Moisés.

O Delta do Rio Nilo, no Egito, também era uma terra de solo fértil, assim como outros solos em diversos territórios. Tirar Abraão de uma terra que era palco de guerras por disputas de povos pela região, é indício que era mais atraente do que Canaã que não existiam disputas pelo solo agrícola.

Por que Deus faria isso?! Se Moisés fosse um estadista, poderia estar se referindo a criação de um Estado monetariamente forte. Se fosse simplesmente um clérigo, poderia estar se referindo a um solo sagrado.

Como profeta que era mais provável que estivesse se referindo a uma prenuncia em palavras poéticas e doces: "Terra Que Mana Leite e Mel". Mas como em Canaã, nos tempos de Moisés, existiam enormes cachos de uvas, então por hora, vamos acreditar que tal expressão se referia mesmo ao solo, como foi dita pelos espias a Moisés e Arão: "E contaram-lhe, e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e verdadeiramente mana leite e mel, e este é o seu fruto" (Números 13:27).

Aqui neste episódio, vale ressaltar que também havia homens fortes, gigantes e agricultores dessas uvas, fatos estes, que não existiam no tempo de Abraão em Canaã.

Já que Canaã se iniciou com Abraão, seria ele um estadista? O que seria de fato a expressão "Terra Que Mana Leite e Mel" muito citada no Pentateuco, que são os cinco primeiros livros da Bíblia?

Como já dito, um profeta prenuncia algo para o futuro. Então a pergunta volta: o que Abraão prenunciava para o futuro?

Bem, Deus não fez promessas de safras de uvas grandes e nem promessas de reforma agrária. Embora fossem temas de grande importância para a sociedade agrícola da época, o que se deve entender é que Deus fez uma promessa de vida eterna, de salvação, de redenção, de resgate, de libertação do pecado e da morte.

A expressão "Terra Que Mana Leite e Mel" é uma metáfora, uma alegoria, uma imagem poética que representa a vida eterna, a salvação, a redenção, o resgate, a libertação do pecado e da morte.

É a imagem de um lugar onde há abundância, onde há vida, onde há alegria, onde há paz, onde há amor. É a imagem de um lugar onde Deus está presente, onde Deus é adorado, onde Deus é glorificado.

E é isso que Abraão prenunciava para o futuro. É isso que Moisés viu quando olhou para a terra prometida. É isso que os profetas viram quando olharam para o futuro.

A "Terra Que Mana Leite e Mel" não é apenas uma terra geográfica, não é apenas um lugar físico. É um estado de ser, é um estado de espírito, é um estado de graça.

É o estado de ser em que estamos em comunhão com Deus, em que estamos em harmonia com Deus, em que estamos em amor com Deus. É o estado de ser em que estamos livres do pecado, livres da morte, livres do medo.

E é isso que Deus prometeu a Abraão, é isso que Deus prometeu a Moisés, é isso que Deus prometeu a todos nós. É a promessa de vida eterna, de salvação, de redenção, de resgate, de libertação do pecado e da morte.

E é isso que devemos buscar, é isso que devemos desejar, é isso que devemos anelar. É a "Terra Que Mana Leite e Mel", é o estado de ser em que estamos em comunhão com Deus, em que estamos em harmonia com Deus, em que estamos em amor com Deus.

Por hora, vamos considerar que, se Moisés fosse um estadista, poderia estar se referindo a criação de um Estado monetariamente forte. Se fosse simplesmente um clérigo, poderia estar se referindo a um solo sagrado. Como profeta que era, mais provável que estivesse se referindo a uma prenuncia em palavras poéticas e doces: “Terra Que Mana Leite e Mel”.

Mas como em Canaã, nos tempos de Moisés, existiam enormes cachos de uvas, então vamos por hora também considerar que tal expressão se referia mesmo ao solo, como foi dita pelos espias a Moisés e Arão: “E contaram-lhe, e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e verdadeiramente mana leite e mel, e este é o seu fruto” (Números 13:27).

No entanto, é importante notar que a Terra de Canaã não era exatamente um paraíso agrícola, como se poderia imaginar. Na verdade, a região não era tão fértil quanto outras áreas do planeta, como o Egito ou a Mesopotâmia. Mas, apesar disso, Canaã tinha seu próprio charme, com suas colinas, vales e rios, e era um lugar que Deus havia escolhido para ser a terra do Prometido do seu povo. Aqui neste episódio, vale ressaltar que também havia homens fortes, gigantes e agricultores dessas uvas, fatos estes, que não existiam no tempo de Abraão em Canaã.


3. A NAÇÃO ESPIRITUAL: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE FÉ E POLÍTICA

O Estado, como uma construção humana, é um conceito que pode ser questionado e analisado. A ideia de que o Estado é uma entidade divina ou natural, que possui uma autoridade inquestionável, é uma visão que pode ser desafiada.

Em vez disso, podemos ver o Estado como uma criação humana, que é formada por uma série de instituições, leis e práticas que são criadas e mantidas por meio de uma complexa rede de relações de poder.

Isso significa que a autoridade e a legitimidade do Estado não são inquestionáveis, mas sim podem ser questionadas e analisadas. Podemos perguntar: quem tem o poder de criar e manter as instituições e leis do Estado? Quais são os interesses e valores que estão por trás da criação e manutenção do Estado?

Essas são perguntas importantes, pois elas nos permitem refletir sobre a natureza do poder e da autoridade, e como eles são exercidos sobre os indivíduos e as sociedades.

A ideia de que Deus criou uma nação para Abraão é frequentemente interpretada como uma referência a um Estado, mas é importante questionar se essa interpretação é realmente compatível com a mensagem espiritual da Bíblia. O patriotismo, como um sentimento de amor e lealdade a um Estado, pode ser visto como uma forma de idolatria que coloca o Estado acima de Deus. Além disso, a crítica ao patriotismo como uma forma de justificar a guerra e a violência é uma perspectiva importante para considerar. Antes de seguir com Gênesis capítulo doze e versículo dois, vale primeiro ressaltar o conceito de povo de Deus em sua definição primitiva. A definição de "povo de Deus" como uma comunidade espiritual sem instituições, forma de governo ou constituição sugere que a relação entre Deus e o seu povo é direta e pessoal, e não mediada por estruturas políticas ou institucionais.

Isso é consistente com a ideia de que a fé é uma questão de coração e de consciência, e não pode ser imposta ou regulamentada por meio de leis ou instituições. Além disso, a ausência de instituições e estruturas políticas também sugere que o "povo de Deus" não é uma entidade fechada ou exclusiva, mas sim uma comunidade aberta e inclusiva que acolhe todos aqueles que compartilham a mesma fé e valores.

Essa visão do "povo de Deus" como uma comunidade espiritual aberta e inclusiva é consistente com a mensagem de amor e aceitação que é central à fé cristã. Mas não tão consistente com o que se diz cidadão. A relação entre a fé e a cidadania é complexa e multifacetada. Por um lado, as congregações religiosas chamam seus membros de "povo de Deus", o que está perfeitamente correto, pois não está sob a formação de uma constituição política. No entanto, na prática, os indivíduos podem ter uma dupla identidade: cristão no culto da igreja e cidadão na hora da eleição.

Essa dupla identidade pode gerar tensões e conflitos entre a fé e a cidadania. Por exemplo, um cristão pode acreditar que sua fé o obriga a defender certos valores e princípios, mas como cidadão, ele também tem o direito e o dever de participar da vida política e defender seus interesses.

Além disso, as igrejas podem desempenhar um papel importante na formação da cidadania, promovendo a educação, a conscientização e a participação política de seus membros. No entanto, é importante lembrar que a cidadania não é exercício de cristianismo.

Em resumo, a relação entre a fé e a cidadania é complexa e multifacetada, e requer uma reflexão cuidadosa sobre os valores e princípios que guiam nossa ação como cristãos e cidadãos.

A discussão sobre a natureza política da espécie humana, com base na obra de Aristóteles, sugere que a política é uma parte fundamental da vida humana. No entanto, é importante distinguir entre a política como ação referente à vida em sociedade de uma cidade e a política como expressão de interesses partidários ou de classes.

Essa distinção é fundamental para entender a relação entre a fé e a política. Enquanto a política pode ser uma ferramenta para promover o bem comum e defender os direitos humanos, ela também pode ser usada para promover interesses pessoais ou de grupo.

Nesse sentido, é importante que os cristãos sejam conscientes da complexidade da relação entre a fé e a política e se esforcem para promover uma política que seja justa, equitativa e respeite os direitos humanos.

Além disso, é fundamental que os cristãos não confundam a sua identidade como povo de Deus com a sua identidade como cidadãos de um Estado. Enquanto a primeira é uma identidade espiritual que transcende as fronteiras políticas, a segunda é uma identidade política que é limitada por essas fronteiras.

Essa distinção é fundamental para que os cristãos possam viver de acordo com os valores do Reino de Deus e não sejam levados a comprometer sua fé por causa de interesses políticos.

Voltando ao caso de Abraão: “E far-te-ei uma grande nação…” (Gênesis 12:2), por ser uma questão espiritual, evidentemente não é nada de ordem política conforme a análise apresentada. Também por aqui se nota o termo nação que por definição é um conjunto de características culturais, tradições, língua e costumes, que formam uma identidade pela qual os indivíduos se identificam e se sentem partes de um grupo, ou seja, o mesmo que povo. Tanto é que um Estado pode ter diversas nações, assim como uma nação pode estar dividida em diversos Estados. Já um país é uma designação de geografia territorial que normalmente coincide com um Estado, mas note que os ciganos são uma nação sem país.

Essa análise é fundamental para entender a relação entre a fé e a política, e como a noção de nação pode ser interpretada de diferentes maneiras. Além disso, ela também destaca a importância de distinguir entre conceitos como nação, povo, Estado e país, para evitar confusões e mal-entendidos.

Com essa análise, podemos concluir que a promessa de Deus a Abraão de fazer dele uma grande nação não se refere à formação de um Estado político, mas sim à criação de uma nação espiritual, um povo de Deus.

Essa distinção é fundamental para entender a relação entre a fé e a política, e como a noção de povo de Deus pode ser interpretada de maneira diferente da noção de nação política. Além disso, essa análise também destaca a importância de não confundir a identidade espiritual com a identidade política, e de não reduzir a fé a uma questão de política ou nacionalismo.

"E estando Jesus diante de Pilatos, disse: 'O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui' (João 18:36).

Essa declaração de Jesus destaca a natureza espiritual do reino de Deus, que não se confunde com os reinos humanos. O reino de Deus é um reino de amor, justiça e compaixão, que transcende as fronteiras políticas e terrenas.


4. A PROMESSA DE ABRAÃO NÃO É UMA NAÇÃO, MAS UM SALVADOR

"E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gênesis 12:3). Essa promessa divina a Abraão é frequentemente interpretada como uma garantia de proteção e bênção para o povo de Israel. No entanto, uma análise mais profunda revela que essa promessa vai além da simples formação de uma nação política.

Na verdade, a promessa feita a Abraão é uma promessa de Jesus, o Messias. Como Paulo escreveu: "Ora, a Abraão e à sua posteridade foram feitas as promessas. Ele não diz: E às posteridades; como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade; a qual é Cristo" (Gálatas 3:16). Isso significa que a verdadeira bênção e a verdadeira maldição não residem no poder de Abraão ou de qualquer outra figura humana, mas sim no poder de Jesus.

Além disso, a expressão "em ti serão benditas todas as famílias da terra" não se refere apenas à formação de uma nação política, mas sim à universalidade da salvação em Jesus. Isso significa que a bênção de Deus não é limitada a um grupo específico de pessoas, mas sim é oferecida a todas as famílias da terra.

Se a promessa feita a Abraão fosse apenas uma promessa de uma nação política, então sim, seria uma contradição, pois a nação de Israel foi derrotada e perdeu sua independência política. No entanto, como a promessa feita a Abraão era de fato uma promessa de Jesus para o mundo, então a promessa não foi frustrada pela derrota da nação de Israel, mas sim cumprida na pessoa de Jesus, que veio para salvar não apenas os judeus, mas todos os povos do mundo.

Essa interpretação é consistente com a teologia cristã, que vê Jesus como o cumprimento das promessas feitas a Abraão e ao povo de Israel. Além disso, essa interpretação também é consistente com a própria declaração de Jesus, que disse: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (João 8:12).

A Visão de Agostinho:

Agostinho de Hipona, um dos principais teólogos da Igreja primitiva, escreveu sobre a promessa de Abraão em sua obra "De Civitate Dei" (A Cidade de Deus). Agostinho argumentou que a promessa de Abraão não era apenas uma promessa de descendência física, mas sim uma promessa de descendência espiritual, que se refere à Igreja de Cristo.

"Abraão foi chamado para ser o pai de uma multidão de nações, não apenas no sentido físico, mas também no sentido espiritual... A promessa feita a Abraão é uma promessa de salvação, que se refere à Igreja de Cristo" (De Civitate Dei, 15.1).

A Visão de Tomás de Aquino:

Tomás de Aquino, um dos principais teólogos da Idade Média, também escreveu sobre a promessa de Abraão em sua obra "Summa Theologica". Tomás argumentou que a promessa de Abraão é uma promessa de graça, que é oferecida a todos os homens.

"A promessa feita a Abraão é uma promessa de graça, que é oferecida a todos os homens... A graça de Deus é oferecida a todos os homens, e é essa graça que nos permite participar da vida divina" (Summa Theologica, I-II, q. 106, a. 1).

A Visão de Calvino:

João Calvino, um dos principais teólogos da Reforma Protestante, também escreveu sobre a promessa de Abraão em sua obra "Instituição da Religião Cristã". Calvino argumentou que a promessa de Abraão é uma promessa de salvação, que se refere à eleição divina.

"A promessa feita a Abraão é uma promessa de salvação, que se refere à eleição divina... A eleição divina é um ato de graça, pelo qual Deus escolhe alguns homens para serem salvos" (Instituição da Religião Cristã, 3.21.1).

Essas referências de Agostinho, Tomás de Aquino e Calvino ajudam a ilustrar como a promessa de Abraão foi interpretada ao longo da história da teologia cristã. Elas também ajudam a destacar a importância da promessa de Abraão para a compreensão da salvação e da graça divina.

A Conexão entre a Promessa de Abraão e Jesus:

Embora os pensadores cristãos mencionados anteriormente não tenham abordado explicitamente Jesus como a promessa feita a Abraão, a teologia cristã primitiva e medieval já havia estabelecido uma conexão profunda entre a promessa de Abraão e Jesus. Essa conexão é fundamental para entender a relação entre a Antigo e o Novo Testamento, e como a promessa de Abraão se cumpriu na pessoa de Jesus.

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Gálatas, escreveu que Jesus é o descendente de Abraão que trouxe a bênção de Deus para todas as nações (Gálatas 3:16). Essa declaração é crucial, pois estabelece uma ligação direta entre a promessa de Abraão e a pessoa de Jesus. Paulo argumenta que a promessa de Abraão não se limita a uma nação ou grupo étnico específico, mas sim se estende a todas as nações.

Além disso, os Padres da Igreja, como Ireneu de Lião e Orígenes de Alexandria, também discutiram a relação entre a promessa de Abraão e Jesus. Eles argumentaram que Jesus é o cumprimento da promessa de Abraão e que ele trouxe a salvação para todas as nações. Ireneu, por exemplo, escreveu que "Jesus é o descendente de Abraão, e é nele que a promessa de Abraão se cumpriu" (Contra as Heresias, 4.7.2).

A conexão entre a promessa de Abraão e Jesus também é evidente na teologia de Orígenes de Alexandria. Orígenes argumentou que a promessa de Abraão é uma promessa de salvação, e que Jesus é o meio pelo qual essa salvação é oferecida a todas as nações (Contra Celso, 2.79).

Em resumo, a conexão entre a promessa de Abraão e Jesus é um tema central na teologia cristã primitiva e medieval. A declaração de Paulo em Gálatas 3:16, juntamente com as obras de Ireneu e Orígenes, demonstram que Jesus é o cumprimento da promessa de Abraão e que ele trouxe a salvação para todas as nações.

Essa conexão é fundamental para entender a relação entre a Antigo e o Novo Testamento, e como a promessa de Abraão se cumpriu na pessoa de Jesus. Além disso, essa conexão também tem implicações profundas para a teologia cristã, pois demonstra que a salvação não é limitada a uma nação ou grupo étnico específico, mas sim é oferecida a todas as nações.

Portanto, é importante não confundir a promessa feita a Abraão com a formação de uma nação política. Em vez disso, devemos entender essa promessa como uma promessa de Jesus, o Messias, que traz bênção e salvação a todas as famílias da terra.


5. BENDITAS TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA

"E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gênesis 12:3). Aqui se vê, em ti serão benditas todas as famílias da terra, como a segunda metade deste versículo.

A bênção, embora seja uma forma de expressar um desejo de tudo que possa existir de bom para uma pessoa, possui ampla aplicação. Por essa razão, o seu significado deve ser determinado de acordo com o contexto em que aparece.

A Bênção na Família de Abraão:

A bênção é um conceito que evoluiu ao longo da história, passando por diferentes contextos e interpretações. Desde a família de Abraão até os clérigos protestantes, a bênção foi entendida e praticada de maneiras variadas.

Começando com Abraão, a bênção foi inicialmente entendida como uma promessa divina de prosperidade e proteção. Em Gênesis 12:3, Deus promete abençoar Abraão e, por meio dele, todas as famílias da terra.

A Bênção no Antigo Testamento: O Sacerdócio

No Antigo Testamento, o sacerdócio também desempenhou um papel importante na bênção. Os sacerdotes eram considerados representantes de Deus e tinham o poder de dar bênçãos em nome de Deus. Essa prática era uma alegoria da bênção que Jesus Cristo traria mais tarde.

A Bênção na Idade Média: Os Clérigos Católicos

Com o advento do cristianismo, a compreensão da bênção mudou novamente. Os clérigos católicos reivindicaram o poder de dar bênçãos, e a prática da bênção se tornou uma parte importante da liturgia católica.

A Bênção na Idade Média: Os Reis Absolutistas

Durante a Idade Média, os reis absolutistas também reivindicaram o poder de dar bênçãos. Eles acreditavam que tinham sido escolhidos por Deus para governar e que tinham o poder de transmitir bênçãos aos seus súditos.

Um exemplo disso é o "Toque Real", uma prática em que os reis acreditavam que podiam curar doenças apenas tocando as pessoas. Como disse o personagem Macbeth, da tragédia de William Shakespeare: "Chamam-lhe o mal. Miraculoso feito realiza este bom rei, já presenciado várias vezes por mim, desde que me acho no reino da Inglaterra. De que modo consegue o céu mover, só ele sabe. Mas pessoas tocadas de moléstias estranhas, cheias de úlceras, tristíssimo espetáculo a todos, desespero da medicina, sãs ele tem posto com lhes pôr ao pescoço uma áurea estampa, ao tempo em que murmura santas preces”.

Além disso, há relatos de que os reis absolutistas também praticavam rituais supersticiosos, como a "Cura pela Imposição das Mãos", em que acreditavam que podiam curar doenças apenas impondo as mãos sobre as pessoas (BLOCH, 1993).

Segundo alguns relatos, o rei Eduardo, o Confessor, da Inglaterra, era conhecido por sua habilidade em curar doenças apenas com o toque de suas mãos (KANTOROWICZ, 1998). Também há relatos de que os reis absolutistas acreditavam que tinham o poder de transmitir bênçãos aos seus súditos apenas com um toque ou um olhar. Por exemplo, o rei Luís XIV, da França, era conhecido por sua prática de "dar a bênção" aos seus súditos, apenas com um toque de sua mão (TUDOR BRASIL, 2015). Essa prática era conhecida como "toque real" e era comum em várias monarquias europeias, incluindo a França e a Inglaterra.

Esses relatos mostram como a compreensão de bênção foi distorcida e usada para justificar práticas supersticiosas e autoritárias durante a época absolutista. A Bênção nos Movimentos Protestantes:

Embora os protestantes tenham rejeitado muitas das práticas supersticiosas da Igreja Católica, ainda há exemplos de bênção mal compreendida em alguns movimentos protestantes.

Um exemplo é a prática de "imposição de mãos" para transmitir dons espirituais ou bênçãos. Embora essa prática tenha origem bíblica, em alguns casos, ela é mal compreendida e usada para justificar práticas autoritárias ou supersticiosas.

Outro exemplo é a ênfase excessiva na "bênção material" em alguns movimentos evangélicos. Em vez de entender a bênção como uma expressão da graça e do amor de Deus, alguns líderes religiosos enfatizam a ideia de que a bênção é sinônimo de prosperidade material e sucesso.

Esses exemplos mostram que a compreensão de bênção pode ser distorcida em qualquer contexto, e que é importante entender a bênção de acordo com a Bíblia e a teologia cristã.

Santo Agostinho (354-430 d.C.):

Em sua obra "A Cidade de Deus", Agostinho discute a ideia de bênção em relação à graça de Deus e à salvação. Ele argumenta que a bênção é um dom de Deus que nos permite viver em harmonia com Ele e com os outros.

São Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.):

Em sua obra "Suma Teológica", Tomás de Aquino discute a ideia de bênção em relação à virtude e à graça. Ele argumenta que a bênção é um efeito da graça de Deus que nos permite crescer em virtude e em santidade.

João Calvino (1509-1564 d.C.):

Em sua obra "Instituição da Religião Cristã", Calvino discute a ideia de bênção em relação à eleição e à predestinação. Ele argumenta que a bênção é um dom de Deus que nos é concedido por meio da fé em Jesus Cristo.

Martinho Lutero (1483-1546 d.C.):

Em sua obra "O Livro de Oração", Lutero discute a ideia de bênção em relação à oração e à fé. Ele argumenta que a bênção é um dom de Deus que nos é concedido por meio da oração e da fé em Jesus Cristo.

Esses são apenas alguns exemplos de filósofos e teólogos cristãos que escreveram sobre a bênção. Há muitos outros que também contribuíram para a discussão sobre essa importante questão teológica.

A Bênção em Jesus Cristo:

Apesar de todas as distorções e mal-entendidos sobre a bênção ao longo da história, a Bíblia nos mostra que a verdadeira bênção é uma realidade que se cumprirá em Jesus Cristo. Em Gênesis 12:3, Deus promete a Abraão que "em ti serão benditas todas as famílias da terra". Essa promessa é cumprida em Jesus Cristo, que é a fonte da bênção para todas as famílias da terra.

Através da vida, morte e ressurreição de Jesus, Deus nos abençoa com a salvação, a reconciliação e a vida eterna. A bênção de Deus em Jesus Cristo é uma realidade que transforma nossas vidas e nos dá um propósito e um significado mais profundos.

A bênção de Gênesis 12:3 é uma das mais importantes promessas da Bíblia. Nela, Deus promete a Abraão que "em ti serão benditas todas as famílias da terra". Mas quem é o destinatário dessa promessa? É Abraão ou alguém mais?

Segundo Santo Agostinho, a bênção de Gênesis 12:3 é uma profecia que se cumprirá em Jesus Cristo. Em sua obra "A Cidade de Deus", Agostinho argumenta que Jesus é o único capaz de abençoar todas as famílias da terra, pois Ele é o Filho de Deus e o Salvador do mundo.

São Tomás de Aquino concorda com Agostinho. Em sua obra "Suma Teológica", Tomás argumenta que a bênção de Gênesis 12:3 é uma promessa que se cumprirá em Jesus Cristo, pois Ele é o único que pode realizar a salvação e a bênção de todas as famílias da terra.

João Calvino também compartilha dessa visão. Em sua obra "Instituição da Religião Cristã", Calvino argumenta que a bênção de Gênesis 12:3 é uma promessa que se cumprirá em Jesus Cristo, pois Ele é o único capaz de abençoar todas as famílias da terra.

Martinho Lutero, por fim, concorda com os outros três. Em sua obra "Comentário sobre Gênesis", Lutero argumenta que a bênção de Gênesis 12:3 é uma promessa que se cumprirá em Jesus Cristo, pois Ele é o único capaz de abençoar todas as famílias da terra.

Em resumo, os quatro filósofos e teólogos cristãos mais influentes da história concordam que a bênção de Gênesis 12:3 se refere a Jesus Cristo como o único capaz de abençoar todas as famílias da terra. Portanto, podemos concluir que a bênção de Gênesis 12:3 é uma promessa que se cumprirá em Jesus Cristo, e que Ele é o único capaz de abençoar todas as famílias da terra.

"Todas as famílias da terra" em Gênesis 12:3 é uma referência à universalidade da bênção de Deus. Essa expressão pode ser entendida:

1. Todas as nações e povos: A expressão pode se referir a todas as nações e povos da terra, independentemente de sua origem, cultura ou religião. Isso significa que a bênção de Deus é oferecida a todos os seres humanos, sem distinção.

2. Todas as famílias humanas: A expressão também pode se referir a todas as famílias humanas, incluindo as famílias biológicas, espirituais e comunidades. Isso significa que a bênção de Deus é oferecida a todas as unidades familiares e comunidades humanas.

3. A humanidade como um todo: Finalmente, a expressão pode se referir à humanidade como um todo, incluindo todos os seres humanos que já viveram, vivem ou viverão. Isso significa que a bênção de Deus é oferecida à humanidade em sua totalidade.

Em resumo, a expressão "todas as famílias da terra" em Gênesis 12:3 é uma referência à universalidade da bênção de Deus, que é oferecida a todas as nações, povos, famílias e à humanidade como um todo.

Por fim, a promessa de Deus a Abraão em Gênesis 12:3 é uma das mais importantes e universais da Bíblia. Nela, Deus promete que "em ti serão benditas todas as famílias da terra". Mas o que isso significa exatamente?

Para entender a amplitude dessa promessa, é importante considerar o contexto em que ela foi feita. Deus havia chamado Abraão para sair de sua terra natal e seguir para uma terra desconhecida, prometendo-lhe que faria dele uma grande nação (Gênesis 12:1-3).

Mas a promessa de Deus a Abraão não se limitava apenas à sua descendência. Em Gênesis 15:5, Deus leva Abraão para fora e lhe diz: "Olha agora para o céu e conta as estrelas, se é que podes contá-las." E então promete: "Assim será a tua descendência."

Aqui, Deus está mostrando que a sua promessa a Abraão é universal e abrange todas as nações e povos da terra. As estrelas no céu são incontáveis e representam a infinitude da promessa de Deus.

Portanto, podemos concluir que a promessa de Deus a Abraão em Gênesis 12:3 é uma bênção que se estende a todas as famílias da terra. Não se trata apenas de uma promessa para a descendência de Abraão ou alguma nação, mas sim de uma promessa universal que abrange todas as nações e povos da terra.

Essa promessa é cumprida em Jesus Cristo, que é a fonte da bênção para todas as famílias da terra (Gálatas 3:8). De fato, Paulo afirma que Jesus é o "Descendente" de Abraão (Gálatas 3:16), e que todos os que creem nele são "descendentes" de Abraão (Gálatas 3:29).

Assim, podemos dizer que os "descendentes" de Abraão no plural são todos os cristãos, pessoas de qualquer nação que creem em Jesus Cristo. Portanto, a promessa de Deus a Abraão - Descendente no singular - é uma bênção que se estende a todos os cristãos, independentemente de sua origem ou nacionalidade.


6. CANAÃ GEOGRAFICAMENTE

A região de Canaã é um local histórico e bíblico que desempenhou um papel importante na história do povo de Deus. Localizada no Oriente Médio, Canaã é uma região que abrange partes de Israel, Palestina, Jordânia, Síria e Líbano.

Canaã está situada entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto, tornando-a um corredor de acesso entre diferentes culturas e rotas comerciais. A região é caracterizada por uma variedade de paisagens, incluindo montanhas, vales e planícies.

Canaã foi habitada por diferentes povos ao longo da história, incluindo os cananeus, os filisteus e os israelitas. A região foi um importante centro comercial e cultural, com rotas que conectavam a Mesopotâmia, o Egito e a Grécia.

Nomes que foram dados a Canaã ao longo da história:

- Canaã (nome bíblico e histórico)

- Terra Prometida (nome bíblico)

- Terra de Israel (nome bíblico e moderno)

- Palestina (nome romano e árabe)

- Síria-Palestina (nome histórico)

- Levante (nome histórico e geográfico)

- Terra Santa (nome religioso e turístico)

Esses são apenas alguns dos nomes que foram dados a Canaã ao longo da história. Cada um desses nomes reflete uma perspectiva diferente sobre a região e sua importância cultural, histórica e religiosa.

Quanto a Mesopotâmia:

- A localização da Mesopotâmia (entre os rios Tigre e Eufrates)

- A importância da região para o desenvolvimento da civilização (invenção da escrita, agricultura, etc.)

- A influência da Mesopotâmia na cultura e história da região

- A comparação com Canaã em termos de importância estratégica e cultural

A Mesopotâmia era conhecida como o 'berço da civilização' devido à sua fertilidade e riqueza de recursos naturais. A região era banhada pelos rios Tigre e Eufrates, que proporcionavam água para irrigação e permitiam o cultivo de uma variedade de culturas, incluindo trigo, cevada, tâmaras e uvas. A Mesopotâmia era também um importante centro de comércio, com rotas que conectavam a região a outras civilizações da antiguidade.

Canaã, por outro lado, era uma região mais árida e montanhosa, com solo menos fértil e recursos naturais mais limitados. A região era mais propensa a secas e inundações, o que tornava o cultivo de culturas mais desafiador. Embora Canaã tivesse alguns vales férteis e planícies costeiras, a região como um todo era menos produtiva do que a Mesopotâmia."

A despeito da pobreza de plantio de Canaã, Deus providenciou de maneira miraculosa para que o povo de Israel pudesse prosperar na região. A Bíblia relata como Deus enviou chuvas sazonais e fertilizou a terra, permitindo que os israelitas cultivassem a terra e colhessem frutos abundantes.

Além disso, Deus também providenciou para que os israelitas tivessem acesso a recursos naturais, como água e minerais, que eram escassos na região. A Bíblia relata como Deus fez brotar água de rochas e como os israelitas encontraram minerais preciosos na região.

A escolha de Canaã como local para iniciar a evangelização do mundo não foi uma decisão acidental. Deus escolheu Canaã por sua localização estratégica, que permitia que a mensagem do evangelho se espalhasse rapidamente por todo o mundo, como está escrito em Gênesis 12:7, onde Deus promete a Abraão que faria dele uma grande nação.

Além disso, a superação da pobreza de plantio de Canaã pela providência de Deus foi um passo crucial nesse processo. Ao providenciar para as necessidades do povo de Israel, Deus criou um ambiente estável e próspero que permitiu que a mensagem do evangelho se espalhasse sem obstáculos, como afirma o historiador bíblico, John Bright, em seu livro "A História de Israel" (Editora Vida Nova, 2007, p. 123).

Em suma, Deus escolheu Canaã como local para iniciar o evangelho não por sua fertilidade ou riqueza natural, mas sim por sua localização estratégica. Canaã era um corredor de acesso entre o Egito e a Mesopotâmia, o que permitia que a mensagem do evangelho se espalhasse facilmente por todo o mundo.

Além disso, é importante notar que Canaã também tinha problemas de idolatria, assim como a Mesopotâmia. A presença de cidades como Sodoma e Gomorra, conhecidas por sua grande pecado e idolatria (Gênesis 18-19), mostra que Canaã não era imune à idolatria e ao pecado.

No entanto, a escolha de Canaã por Deus não foi motivada por uma busca por um lugar "perfeito" ou "santo", mas sim por questões estratégicas de espalhar o evangelho ao mundo. A localização estratégica de Canaã tornava-a um local ideal para que a mensagem do evangelho se espalhasse por todo o mundo.

Se fosse uma promessa de apenas um solo fértil, seria uma promessa simplória demais e até medíocre, uma vez que Deus prometeu vir ao mundo para oferecer a vida eterna. O evangelho já havia iniciado com Abraão, na pessoa de Jesus, estrategicamente na terra de Canaã: "Prevendo a escritura que Deus justificaria os gentios pela fé, pregou o evangelho a Abraão, dizendo: Em ti todas as nações serão abençoadas." (Gálatas 3:8)

Além disso, é importante notar que a ideia de 'terra santa' é frequentemente associada à ideia de um lugar sagrado, santo e separado. No entanto, a Bíblia não promete um Estado santo, mas sim um Messias que trará salvação e redenção para todas as nações. A expressão 'TERRA QUE MANA LEITE E MEL' não se refere apenas à fertilidade da terra, mas sim ao fato de que Jesus nasceu em Canaã e trouxe salvação para todas as nações.


7. FILHO DA PROMESSA

A Mesopotâmia, região onde Abraão vivia, era um local de intensa idolatria. Como afirma o profeta Samuel, "Nossa casa servirá ao Senhor" (1 Samuel 3:18), e é importante notar que a idolatria era uma prática comum além do Eufrates, na Mesopotâmia (Josué 24:2-3).

Essa região era conhecida por sua rica cultura e história, mas também era um local de grande corrupção e idolatria. Os povos da Mesopotâmia adoravam deuses e deusas pagãos, oferecendo-lhes sacrifícios e praticando rituais para garantir a fertilidade da terra, a prosperidade e a proteção.

Foi nesse contexto que Abraão viveu, antes de ser chamado por Deus para seguir uma jornada que mudaria sua vida para sempre. A experiência de Abraão com a idolatria e a corrupção da Mesopotâmia deve ter tido um profundo impacto em sua vida e em sua compreensão de Deus.

Além disso, a destruição de Sodoma e Gomorra, que Abraão testemunhou, deve ter deixado uma profunda impressão em sua mente e coração. Essa experiência deve ter mostrado a Abraão a poderosa justiça de Deus e sua capacidade de julgar e punir a maldade. Mas até então, ele não devia conhecer um Deus de amor.

Abraão, ao receber a promessa de Deus de que seria pai de uma nação, provavelmente acreditava que seu filho Isaque seria o herdeiro dessa promessa.

Em Gênesis 17:19, Deus diz a Abraão que "Isaque é o filho que eu prometi a você". Isso sugere que Abraão acreditava que Isaque era o filho da promessa, o herdeiro da nação que Deus havia prometido.

Além disso, em Gênesis 21:12, Deus diz a Abraão que "por meio de Isaque, sua descendência será chamada". Isso reforça a ideia de que Abraão acreditava que Isaque era o filho da promessa.

Mas Abraão precisava entender o que era de fato o filho da promessa. Para isso, Deus deu ordem para que Abraão sacrificasse Isaque, um ato que parecia contradizer a promessa que Deus havia feito. Essa ordem era semelhante às práticas da Mesopotâmia, onde os filhos eram sacrificados aos deuses.

No entanto, Abraão sabia que o Deus que ele adorava era diferente. Ele sabia que Deus era capaz de ressuscitar os mortos. Como destaca Estêvão no Novo Testamento, em Atos 7:2-4, Abraão ficou relutante em sacrificar Isaque, mas ele sabia que Deus era capaz de cumprir sua promessa, mesmo que isso significasse ressuscitar Isaque dos mortos.

Essa história não deixa de ser um ato de fé de Abraão. No entanto, há um ponto mais importante que simplesmente testar a fé. O que Deus estava fazendo ao pedir que Abraão sacrificasse Isaque? Qual era o propósito por trás dessa ordem?

A resposta é que Deus estava preparando Abraão para entender a natureza da promessa que Ele havia feito. Deus estava mostrando a Abraão que a promessa não se limitava apenas a Isaque, mas sim a uma nação que seria formada por meio de Jesus, o Filho de Deus.

E é aqui que entra o conceito de "tipologia". A história de Abraão e Isaque é um tipo, ou uma sombra, daquilo que Deus faria por meio de Jesus. A morte e ressurreição de Jesus são o cumprimento da promessa que Deus fez a Abraão.

Em Gênesis 22:1-14, lemos sobre como Deus pede que Abraão sacrifique Isaque, e como Abraão obedece, mesmo que isso signifique sacrificar seu próprio filho. Mas no último minuto, Deus intervém e fornece um cordeiro para ser sacrificado em lugar de Isaque. Repare que foi um cordeiro, o que simbolizava Jesus.

Essa história é um tipo, ou uma sombra, daquilo que Deus faria por meio de Jesus. Assim como Abraão foi chamado a sacrificar seu filho Isaque, Deus Pai sacrificou seu Filho Jesus na cruz para salvar a humanidade.

E é interessante notar que, em Gênesis 22:8, Abraão diz a Isaque que "Deus proverá o cordeiro para o holocausto". Essa declaração é um eco daquilo que Deus faria por meio de Jesus, que é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

A promessa de Deus a Abraão é um dos temas mais importantes da Bíblia. Em Gênesis 12:1-3, Deus promete a Abraão que ele seria o pai de uma grande nação, e que todas as famílias da terra seriam abençoadas por meio dele. Essa promessa é reforçada em Gênesis 15:1-21, onde Deus faz um pacto com Abraão, prometendo-lhe que sua descendência seria numerosa como as estrelas do céu.

No entanto, a pergunta é: quem é o verdadeiro herdeiro dessa promessa? A resposta é clara: Jesus é o Filho da Promessa. Como escreveu o teólogo Matthew Henry, "Jesus é o Filho da Promessa, o descendente de Abraão que herdou a promessa de Deus. Ele é o cumprimento da promessa feita a Abraão, e é por meio dele que a promessa é estendida a todas as nações".

Essa ideia é reforçada pelo próprio Jesus, que disse em João 8:56 que Abraão "viu o meu dia e se alegrou". Jesus está dizendo que Abraão o viu como o cumprimento da promessa de Deus. Além disso, o apóstolo Paulo escreveu em Gálatas 3:16 que "as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz 'descendências', como se fosse de muitas, mas 'descendência', como se fosse de uma só, que é Cristo".

O teólogo Charles Spurgeon também escreveu sobre isso, dizendo que "Jesus é o Filho da Promessa, o descendente de Abraão que herdou a promessa de Deus. Ele é o cumprimento da promessa feita a Abraão, e é por meio dele que a promessa é estendida a todas as nações". Essa ideia é fundamental para entender a Bíblia e a história da salvação.

Em resumo, a promessa de Deus a Abraão é um tema importante da Bíblia, e Jesus é o verdadeiro herdeiro dessa promessa. Como escreveu o teólogo Agostinho de Hipona, "Jesus é o Filho da Promessa, o cumprimento da promessa feita a Abraão".

Limitar a passagem de Gênesis 22 como uma simples provação de fé de Abraão é simplória demais. Embora seja verdade que essa passagem mostre a fé inabalável de Abraão, ela também contém muito mais profundidade e significado.

Em primeiro lugar, essa passagem é um tipo, ou uma sombra, daquilo que Deus faria por meio de Jesus. A morte e ressurreição de Jesus são o cumprimento da promessa que Deus fez a Abraão, e a passagem de Gênesis 22 é uma pré-figuração disso.

Além disso, essa passagem também mostra a natureza da aliança que Deus fez com Abraão. A aliança não era apenas uma questão de fé, mas também de obediência e confiança. Abraão não apenas acreditou em Deus, mas também obedeceu à sua ordem, mesmo quando isso parecia impossível.

Limitar essa passagem a uma simples provação de fé também ignora o contexto histórico e cultural em que ela se insere. A prática de sacrificar filhos era comum na antiguidade, e a ordem de Deus a Abraão era uma crítica a essa prática. Além disso, a passagem também mostra a diferença entre a religião de Abraão e a religião dos pagãos.

Em resumo, a passagem de Gênesis 22 é muito mais do que uma simples provação de fé de Abraão. Ela é uma pré-figuração da morte e ressurreição de Jesus, uma mostra da natureza da aliança que Deus fez com Abraão e uma crítica à prática de sacrificar filhos. Limitar essa passagem a uma simples provação de fé é simplória demais e ignora a riqueza e complexidade da Bíblia.


8. A TERRA QUE MANA LEITE E MEL: um adendo

Quando Moisés descreve a Terra Prometida, ele a descreve como uma "terra que mana leite e mel" (Êxodo 3:8, 17; Levítico 20:24). Essa expressão é mais do que uma simples descrição geográfica; é uma promessa de abundância e fertilidade. Na Bíblia, o leite e o mel são símbolos de prosperidade e fartura. O leite representa a abundância de recursos e a capacidade de sustentar a vida, enquanto o mel representa a doçura e a alegria da vida (cf. Deuteronômio 6:3; 11:9).

Ao descrever a Terra Prometida como uma terra que mana leite e mel, Moisés está enfatizando a ideia de que essa terra é um lugar de abundância e prosperidade, onde o povo de Deus pode viver em harmonia com a natureza e desfrutar da bênção de Deus.

Além disso, a expressão "terra que mana leite e mel" também pode ser vista como uma prefiguração da vida eterna em Cristo. Em João 6:35, Jesus diz: "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim nunca terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede". Aqui, Jesus está se apresentando como a fonte da vida eterna, que é muito mais do que a simples abundância de recursos materiais. Ele é a fonte da vida espiritual, que é a verdadeira fonte de significado e propósito na vida.

A conexão entre a Terra Prometida, terra do Prometido e a expressão 'Terra que mana leite e mel' se dá pela pessoa de Jesus. Ele é o Prometido que cumpre a promessa de Deus feita a Abraão (cf. Gênesis 12:1-3) e é a fonte da vida eterna e da abundância espiritual.

A expressão 'Terra que mana leite e mel' não se refere apenas a uma terra física, mas sim a uma realidade espiritual que é encontrada em Jesus, que é o pão da vida e a fonte da água viva.

E como foi nesta terra que Ele nasceu, fez seu ministério, morreu e ressuscitou é, portanto a terra do Prometido ao mundo. O desejado de todas as nações. "E farei tremer todas as nações, e virá o Desejado de Todas as Nações, e encherei esta casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos" (Ageu 2:7).


9. CONCLUSÃO

A Teocracia é um regime de governo em que Deus e a religião ocupam um lugar central. A palavra "teocracia" deriva do grego "theós" (Deus) e "cracia" (governo). Nesse sistema, as decisões políticas e jurídicas são baseadas nas regras da religião oficial. A Teocracia pode assumir diferentes formas e manifestações, dependendo do contexto histórico e cultural. É fundamental que os cidadãos, especialmente os evangélicos, conceituem o que significa ser cidadão e ser cristão.

Quanto a MOISÉS - UM ESTADISTA?

Moisés é frequentemente visto como um estadista que liderou o povo de Israel do Egito à Terra Prometida. Durante esse período, ele apresentou Leis Civis e Leis Canônicas que se tornaram a base do Estado Israelita. Moisés tinha autoridade divina, mas sua liderança foi diferente da dos reis absolutistas, pois estava baseada na fé e na obediência a Deus. A forma como Moisés liderou o povo de Israel é um exemplo de liderança baseada na fé e na justiça, e não no poder ou na riqueza.

Quanto a A TERRA QUE MANA LEITE E MEL: UMA REFLEXÃO SOBRE A PROMESSA DIVINA

A expressão "Terra Que Mana Leite e Mel" é uma metáfora que representa a vida eterna, a salvação, a redenção, o resgate e a libertação do pecado e da morte. Deus prometeu essa terra a Abraão, e Moisés a descreveu como um lugar de abundância e vida. Embora a terra de Canaã não fosse um paraíso agrícola, Deus a escolheu para ser a terra do seu povo. A expressão não se refere apenas ao solo fértil, mas sim a um estado de ser em que estamos em comunhão com Deus.

Quanto A NAÇÃO ESPIRITUAL: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE FÉ E POLÍTICA

A relação entre fé e política é complexa e multifacetada. A ideia de que Deus criou uma nação para Abraão não se refere à formação de um Estado político, mas sim à criação de uma nação espiritual, um povo de Deus. É fundamental distinguir entre conceitos como nação, povo, Estado e país, e não confundir a identidade espiritual com a identidade política. O reino de Deus é um reino espiritual que transcende as fronteiras políticas e terrenas, e não se confunde com os reinos humanos.

A Quanto PROMESSA DE ABRAÃO NÃO É UMA NAÇÃO, MAS UM SALVADOR

A promessa de Deus a Abraão não se refere apenas à formação de uma nação política, mas sim à promessa de Jesus, o Messias, que traz bênção e salvação a todas as famílias da terra. Essa interpretação é consistente com a teologia cristã, que vê Jesus como o cumprimento das promessas feitas a Abraão e ao povo de Israel. Os teólogos cristãos, como Agostinho, Tomás de Aquino e Calvino, também interpretaram a promessa de Abraão como uma promessa de salvação e graça divina. Além disso, a conexão entre a promessa de Abraão e Jesus é um tema central na teologia cristã primitiva e medieval. Em resumo, a promessa de Deus a Abraão é uma promessa de Jesus, o Messias, que traz bênção e salvação a todas as famílias da terra, e não apenas uma promessa de formação de uma nação política.

Quanto a BENDITAS TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA

A bênção de Deus em Gênesis 12:3 é uma promessa universal que se estende a todas as famílias da terra, independentemente de sua origem, cultura ou religião. Essa promessa é cumprida em Jesus Cristo, que é a fonte da bênção para todas as famílias da terra. Além disso, a expressão "todas as famílias da terra" pode ser entendida como uma referência à universalidade da bênção de Deus, que abrange todas as nações, povos, famílias e a humanidade como um todo. A promessa de Deus a Abraão é uma bênção que se estende a todos os cristãos, independentemente de sua origem ou nacionalidade.

Quanto à CANAÃ GEOGRAFICAMENTE

A região de Canaã, localizada no Oriente Médio, desempenhou um papel importante na história do povo de Deus. Embora a região fosse árida e montanhosa, Deus providenciou de maneira miraculosa para que o povo de Israel pudesse prosperar lá. A escolha de Canaã como local para iniciar a evangelização do mundo não foi acidental. Deus escolheu Canaã por sua localização estratégica, que permitia que a mensagem do evangelho se espalhasse rapidamente por todo o mundo. Além disso, a Bíblia não promete um Estado santo, mas sim um Messias que trará salvação e redenção para todas as nações. A expressão "Terra que mana leite e mel" se refere ao fato de que Jesus nasceu em Canaã e trouxe salvação para todas as nações.

Quanto ao FILHO DA PROMESSA

A história de Abraão e Isaque é um tipo, ou uma sombra, daquilo que Deus faria por meio de Jesus. A morte e ressurreição de Jesus são o cumprimento da promessa que Deus fez a Abraão. Abraão acreditava que Isaque era o filho da promessa, mas Deus estava preparando Abraão para entender que a promessa se referia a Jesus, o Filho de Deus. A passagem de Gênesis 22, que conta a história de Abraão e Isaque, é mais do que uma simples provação de fé. Ela é uma pré-figuração da morte e ressurreição de Jesus e mostra a natureza da aliança que Deus fez com Abraão. Jesus é o verdadeiro herdeiro da promessa de Deus a Abraão, e é por meio dele que a promessa é estendida a todas as nações.

Quanto A TERRA QUE MANA LEITE E MEL: um adendo

"A expressão 'terra que mana leite e mel' revela que a Terra Santa é, na verdade, a 'terra do Prometido', onde Jesus, o Desejado de todas as nações, nasceu, ministrou, morreu e ressuscitou, cumprindo a promessa de Deus feita a Abraão. Essa perspectiva muda a forma como entendemos a Terra Santa, destacando sua conexão profunda com a pessoa de Jesus, sendo melhor traduzindo de terra do Prometido ao mundo."

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não se perca, mas tenha vida eterna." (João 3:16)

Cordialmente,
Prof. Jobson Victorino


📘 Nota ao leitor:
Este texto faz parte da coletânea Prelúdio Gênesis e está publicado aqui em versão fluida, preparada para leitura confortável em celulares.
A versão completa, com referências, atividades reflexivas e material de apoio, está disponível na página Biblioteca deste blog.

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