Prelúdio de Gênesis: Entre a Ciência, a Fé e a Razão Humana
Prelúdio de Gênesis: Entre a Ciência, a Fé e a Razão Humana
Este artigo propõe uma reflexão crítica e interdisciplinar sobre a origem da vida, unindo fé bíblica, razão humana e conhecimento científico. A narrativa da criação em Gênesis é analisada à luz de marcos como o Big Bang, a teoria de Oparin, o experimento de Pasteur e o surgimento da matéria orgânica. De forma inovadora, o texto explora o simbolismo do tempo na teoria da relatividade de Einstein, conectando o paradoxo do navegante com o sábado bíblico — não apenas como dia de descanso, mas como elo entre a criação e a redenção. A análise rejeita dogmatismos e misticismos, defendendo uma fé honesta e uma liberdade consciente como caminhos para integrar ciência e espiritualidade.
Palavras-chave: Fé e ciência; Criação bíblica; Gênesis; Big Bang; Oparin; Pasteur; Origem da vida; Relatividade; Sábado; Fé honesta; Liberdade consciente.
Introdução
O termo "prelúdio" evoca a ideia de um início, uma preparação que antecipa algo maior. Em música, um prelúdio é uma composição que prepara o palco para a obra que se seguirá, um momento de transição. Em Prelúdio Gênesis, esse conceito é usado como uma metáfora, representando o começo de uma jornada teológica que se desdobrará ao longo deste artigo e nas reflexões que poderão surgir.
Este artigo não tem a pretensão de esgotar os temas apresentados, mas busca servir como uma introdução ao estudo dos primeiros capítulos de Gênesis, explorando as questões fundamentais sobre a criação, a origem da humanidade e a relação entre Deus e o homem. A proposta é tornar a mensagem bíblica mais acessível, utilizando uma linguagem simples que facilita a compreensão de questões espirituais complexas.
A abordagem também busca tocar as dimensões emocionais e contemplativas do texto sagrado, incentivando uma reflexão mais pessoal sobre os temas que aborda. Assim como um prelúdio musical não busca um fechamento, mas abre caminho para o que virá, este artigo propõe-se a ser uma porta de entrada para uma exploração mais profunda da Bíblia.
O título Prelúdio Gênesis carrega consigo uma licença poética, sugerindo que estamos apenas começando a nos aventurar nesse vasto universo teológico. A jornada é iniciada com a mente aberta, pronta para refletir sobre os temas essenciais da fé e da espiritualidade, buscando uma compreensão mais profunda da fé, que seja honesta, simples e humilde. Uma fé que não se esconde atrás de respostas fáceis ou dogmas rígidos, mas que se abre para a reflexão, a dúvida e a busca.
A estrutura do artigo procura guiar em uma reflexão gradual, incentivando uma busca contínua por uma fé honesta, que se desenvolva em um diálogo aberto e respeitoso com as próprias dúvidas e questionamentos. Sem forçar conclusões definitivas, mas sim abrindo caminho para uma compreensão mais profunda e pessoal da fé.
Assim como um prelúdio musical não tem um final definitivo, mas sim abre caminho para a obra que se seguirá, por esta razão este artigo também não busca uma conclusão de fechamento. Em vez disso, ele deixa em aberto a perspectiva de uma segunda parte, que pode explorar de forma mais detalhada os temas aqui apresentados, aprofundando a reflexão e a busca por uma compreensão mais profunda da fé honesta. Dessa forma, o Prelúdio Gênesis se apresenta como um convite para uma jornada contínua de descoberta e crescimento espiritual.
- 1. O livro de gênesis e sua linguagem simplória
- 2. A tradição oral: desafios e reflexões sobre a criação
- 3. Linha internacional de data
- 4. Adão - feito de barro
- 5. Adão – o inorgânico que virou orgânico
- 6. O significado da criação de eva
- 7. A alma e o espírito: uma abordagem ampla
- 8. A trindade
- 9. O espírito santo
- 10. Fé
- 11. Fé honesta
- 12. Conclusão
1. O LIVRO DE GÊNESIS E SUA LINGUAGEM SIMPLÓRIA
O livro de Gênesis é uma narrativa acessível que apresenta uma explicação sobre o início do mundo em que vivemos (BRIGHT, 2000). Embora tenha sido escrito em um período sem o método científico moderno, Gênesis reflete a mentalidade de um povo influenciado pela cultura mesopotâmica e sua tradição oral (VANSINA, 1985). Moisés, ao escrever Gênesis, não teve a intenção de utilizar uma abordagem científica, mas sim de transmitir verdades espirituais em uma linguagem compreensível para sua época.
A Bíblia foi escrita para os povos de seu tempo, utilizando uma linguagem cotidiana para alcançar homens simples e humildes. No entanto, seus textos também contêm trechos jurídicos, poéticos e proféticos, o que demonstra uma riqueza literária que vai além da simplicidade (VON RAD, 1972). Ainda assim, sua mensagem essencial atravessou os séculos e chegou até nós com a mesma força.
Como as maravilhas e os mistérios de Deus foram revelados aos pequeninos, vale ressaltar que a compreensão das Escrituras não depende apenas do intelecto, mas também de uma abertura ao Espírito de Deus. Muitas vezes, uma abordagem puramente racional pode encontrar dificuldades em captar a profundidade espiritual da mensagem bíblica, mas vale dizer que não significa que o conhecimento e a reflexão sejam incompatíveis com a fé.
A Bíblia convida a um entendimento que transcende a razão humana. Na Antiguidade, a filosofia fazia parte da cultura de muitos povos, mas a tradição hebraica seguiu um caminho distinto (BRIGHT, 2000). Embora a Bíblia não tenha sido construída sobre fundamentos filosóficos gregos ou babilônicos, sua teologia apresenta reflexões profundas sobre a natureza de Deus, a existência do mal e o propósito da vida.
O Espírito Santo inspirou os profetas, garantindo que os Escritos Sagrados tivessem uma linguagem única, distinta da dos povos contemporâneos a Israel. Pode-se dizer, de maneira geral, que a linguagem bíblica reflete a cultura hebraica (VANSINA, 1985). Com o passar dos séculos, sua interpretação se tornou mais complexa, mas nunca a ponto de impedir a compreensão de sua mensagem.
O ponto central é que a Bíblia, especialmente no livro de Gênesis, revela um fato fundamental: a existência de Deus. Para o cristão, o estudo de Gênesis é essencial, pois não apenas reafirma a existência de Deus e a origem do mundo, mas também aponta para a aliança divina com Abraão, que mais tarde se cumpriria em Cristo. Esse patriarca foi chamado para sair de sua terra e tornar-se o pai de uma nação, da qual surgiria o Salvador.
Hoje, o Cristianismo representa um povo incontável, comparável às estrelas do céu, destinado a herdar a Canaã celestial. Como dito a Abrão em Gênesis 15:5-7: "Então o levou para fora, e disse: Olha agora para o céu, e conta as estrelas, se as podes contar; e acrescentou-lhe: Assim será a tua descendência. E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça. Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra em herança."
2. A TRADIÇÃO ORAL: DESAFIOS E REFLEXÕES SOBRE A CRIAÇÃO
A criação da Terra e da vida biológica, conforme narrado em Gênesis 1, ocorreu em seis dias, e no sétimo Deus descansou de Sua obra (Gênesis 2:1-2). Embora o dia, os meses e o ano se baseiem em fenômenos naturais — o ano corresponde à órbita da Terra ao redor do Sol, e o dia a um ciclo de 24 horas — a semana, por sua vez, não tem um fundamento natural imediato, mas é uma herança bíblica que nos foi deixada: a semana com o dia de descanso (Collins, 2006, p. 123).
Ao refletir sobre a criação, surgem questões intrigantes à luz do conhecimento científico. Por exemplo, a vegetação, que depende da luz solar para a fotossíntese, foi criada antes do sol. Isso parece desafiar o entendimento das leis naturais como as conhecemos.
Esse ponto nos leva a considerar três possibilidades sobre a natureza da narrativa bíblica e sua relação com as leis da física, da química e da biologia.
1. Leis físicas diferentes antes da queda do homem:
A primeira possibilidade é que, antes da queda do homem, as leis físicas, químicas e biológicas eram diferentes das que conhecemos hoje (Lewis, 1955, p. 56).
2. Possibilidade de uma narrativa simplificada devido ao desconhecimento científico:
Outra reflexão importante é a possibilidade de que a narrativa de Gênesis seja uma forma de relato simplificado, dado o desconhecimento científico da época (Lennox, 2009, p. 101).3. A tradição oral como base da narrativa:
Por fim, também devemos considerar a possibilidade de que o autor de Gênesis tenha escrito baseado na tradição oral (Wenham, 1987, p. 23).
Além das questões já mencionadas, outro ponto curioso é a criação da luz no primeiro dia, enquanto o sol e a lua somente são mencionados no quarto dia. Esse detalhe, à primeira vista, pode parecer contraditório, especialmente quando consideramos o conhecimento científico atual sobre a formação do universo.
A narrativa bíblica não parece ter o objetivo de explicar a criação do mundo de forma científica, mas sim transmitir um princípio mais profundo e espiritual sobre a origem da vida e a ordem divina.
Para alguns a luz criada no primeiro dia poderia ser entendida, em um nível simbólico, como a manifestação inicial da presença e da ordem de Deus no universo, enquanto o sol e a lua, criados posteriormente, representam os luminares que governam o ciclo do dia e da noite.
O Sábado, como dia de descanso e símbolo da criação, nos lembra que Deus é o Criador de todas as coisas. Para nós, como crentes, a narrativa de Gênesis ainda é relevante, pois ela nos conecta com a origem divina da vida pela fé. Como dito em Hebreus: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11:6).
Somos criacionistas não porque acreditamos que as leis da física são imutáveis desde o início dos tempos, mas porque cremos em um Criador que, com sabedoria e poder infinitos, deu origem ao universo e às suas leis, permitindo que, ao longo da história, o conhecimento humano sobre as leis naturais evoluísse e se aprofundasse, revelando cada vez mais a complexidade e a beleza da criação divina.
Por fim, aqueles que tentam descreditar a Bíblia, seja por ignorância, seja por incredulidade, muitas vezes não compreendem a profundidade da sabedoria contida nela. A ciência e a fé não precisam ser vistas como opostas; ao contrário, ambas podem coexistir, cada uma contribuindo para uma compreensão mais rica do mundo e da realidade natural.
Além disso, é importante abordar uma hipótese nula que circula entre alguns religiosos, que tentam apoiar a teoria de que a criação se deu ao longo de sete mil anos, baseando-se no versículo de 2 Pedro 3:8: "Para Deus, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia."
Contudo, este versículo não se aplica à narrativa da criação, como tentam sugerir. Ele está relacionado à visão de que Deus, sendo eterno e além do tempo humano, não é limitado pelas nossas concepções temporais. A intenção de Pedro não é fornecer uma prova científica para entender o tempo de criação, mas sim enfatizar a paciência e a eternidade de Deus.
Aplicar essa passagem ao relato de Gênesis, para sugerir que Deus criou o mundo em "sete mil anos", é uma interpretação errônea. O texto bíblico de Gênesis descreve um processo de criação em sete dias, com um significado simbólico profundo, e não deve ser forçado a se alinhar com as divisões do tempo de nossa realidade atual.
Como discutido, as leis físicas que regem nosso mundo pós a queda do homem são diferentes das que existiam no princípio, e a narrativa bíblica é mais um testemunho da ordem e do poder de Deus do que um manual científico do tempo.
É importante notar que, ao abordar a criação e a origem do universo, estamos lidando com questões complexas que ainda não foram completamente compreendidas. É fundamental abordar essas questões com honestidade, reconhecendo que não sabemos tudo e que há ainda muito a ser descoberto.
Deus não precisa de defesas artificiais ou explicações forçadas. A verdade é que podemos abordar essas questões complexas com honestidade e respeito, assim exatamente como em ciência, sem precisar recorrer a interpretações forçadas ou simbolismos artificiais.
3. LINHA INTERNACIONAL DE DATA
O Sábado, dia de descanso e comunhão com Deus, guarda uma importância significativa que revela a conexão íntima entre o Criador e sua criação, pois foi nesse dia que Deus descansou de toda a sua obra. E esse ponto da criação foi uma advertência em destaque no decálogo - 10 mandamentos – para que esse dia não fosse esquecido, como está escrito em Êxodo 20:8-11: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. A palavra-chave Lembra-te.
Ao examinar a relação entre Deus e Jesus, podemos descobrir que o Sábado não é apenas um dia de observância, mas sim um momento de reflexão sobre a natureza do tempo e da criação. A partir daqui, podemos mergulhar em uma jornada de descoberta, explorando o paradoxo do navegante, a curvatura do espaço-tempo e a complexidade da percepção do tempo, para revelar a beleza e a profundidade da mensagem bíblica.
O paradoxo do navegante:
Quando Fernão de Magalhães e sua tripulação completaram a primeira circum-navegação do globo em 1522, eles experimentaram um fenômeno estranho e inesperado. Ao cruzar uma certa linha no oceano, eles descobriram que haviam "perdido" um dia. Magalhães e sua tripulação estavam convencidos de que haviam feito uma contagem correta dos dias durante a viagem, mas ao chegarem às Ilhas Filipinas, eles descobriram que os nativos estavam celebrando um dia diferente do que eles esperavam.
Essa descoberta foi um choque para Magalhães e sua tripulação, e eles não entenderam o que havia acontecido. Eles simplesmente registraram o fato em seus diários e continuaram a viagem, sem compreender o fenômeno que haviam experimentado.
Esse fenômeno já era o conhecido paradoxo do navegante. Um conceito que foi discutido e debatido por estudiosos ao longo da história.
O paradoxo do navegante é um problema que surge quando se tenta reconciliar a contagem de dias em uma viagem ao redor do mundo. Em resumo, o paradoxo afirma que, se um navegante viaja ao redor do mundo de leste para oeste, ele "perde" um dia, enquanto que, se ele viaja de oeste para leste, ele "ganha" um dia.
Esse paradoxo foi discutido por estudiosos como o matemático e astrônomo grego Eratóstenes (276-194 a.C) e o astrônomo e matemático italiano Giovanni Battista Riccioli (1598-1671). No entanto, foi apenas no século 19 que o paradoxo do navegante foi formalmente descrito e explicado.
A explicação para o paradoxo do navegante está relacionada à forma como os dias são contados em diferentes fusos horários. Quando um navegante viaja ao redor do mundo, ele cruza diferentes fusos horários, o que significa que ele precisa ajustar sua contagem de dias para refletir a mudança de fuso horário.
Esta questão também nos leva a refletir sobre a natureza do tempo e da criação. Se o tempo é relativo e pode ser afetado pela nossa percepção e pelo nosso movimento, a pergunta é: O que isso significa para a nossa compreensão da criação e do papel de Deus nela, inclusive o Sábado – que Deus não criou nada, apenas descansou? A palavra–chave aqui é descanso.
A percepção falsa de tempo:
A percepção humana é um instrumento poderoso, mas não é infalível. Nossa mente é capaz de criar ilusões, distorcer a realidade e nos levar a conclusões erradas. É como se estivéssemos olhando para o mundo através de uma lente imperfeita, que distorce a imagem e nos mostra apenas uma versão parcial da verdade.
Mas, se nossa percepção é limitada, como podemos ter certeza de que nossa compreensão do mundo é correta? Como podemos distinguir entre a realidade e a ilusão? É aqui que entra a importância de questionar nossas suposições e de buscar uma compreensão mais profunda da realidade.
Um dos exemplos mais comuns é a perspectiva de distância. Quando estamos olhando para uma estrada que se estende até o horizonte, parece que as linhas da estrada se encontram em um ponto. Mas, na verdade, as linhas da estrada não se encontram, é apenas uma ilusão criada pela nossa percepção.
Outro exemplo é o desenho tridimensional em papel. Quando vemos um desenho de uma casa ou de um objeto em um papel, parece que estamos vendo uma imagem tridimensional. Mas, na verdade, é apenas uma ilusão criada pelas linhas e sombras do desenho. A percepção da terra esférica também é um exemplo interessante. Durante muito tempo, as pessoas acreditavam que a terra era plana, porque parecia que o horizonte era uma linha reta. Mas, na verdade, a terra é esférica, e o horizonte é apenas uma curva que nossa percepção não consegue detectar. E, claro, há também a ilusão de ótica, onde nossos olhos podem ser enganados por linhas e formas que criam uma impressão falsa de profundidade ou movimento.
Esses exemplos mostram como nossa percepção pode nos enganar, e como é importante questionar nossas suposições e buscar uma compreensão mais profunda da realidade.
A percepção do tempo é outro exemplo fascinante de como nossa mente pode nos enganar. O tempo parece passar de maneira diferente dependendo da nossa idade, do nosso estado de espírito e da nossa experiência. Quando estamos felizes e ocupados, o tempo parece voar. Mas, quando estamos entediados ou estressados, o tempo parece arrastar-se.
Além disso, a nossa percepção do tempo também é influenciada pela nossa memória e pela nossa expectativa. Nós tendemos a lembrar dos eventos passados de maneira diferente do que realmente aconteceu, e também tendemos a projetar nossas expectativas para o futuro.
Mas, o que isso tem a ver com o Sábado? Bem, se a nossa percepção do tempo é imperfeita, então como podemos ter certeza de que nossa compreensão do Sábado é correta? Pois note que o dia é um espaço de tempo que foi convencionado em 24 horas. A palavra-chave aqui é espaço-tempo. Talvez, ao invés de ver o Sábado como um dia específico da semana, devemos vê-lo como uma referência para refletir sobre a nossa criação e sobre a natureza do tempo.
Deus, em sua sabedoria, sabia que nossa percepção do tempo era limitada, e por isso, ele nos deu uma referência clara do Dia do Descanso. Mas, essa referência não é apenas sobre um dia específico da semana, é sobre a nossa relação com a criação.
A reflexão sobre o Sábado também nos leva a questionar sobre a natureza da criação e sobre o papel de Deus nela. Se Deus não precisava descansar, como nós humanos, então por que ele criou o Sábado como um dia de descanso?
A resposta não está na própria natureza da criação. Deus criou o universo e todas as coisas nele com um propósito e um plano maior. E o Sábado é uma parte importante desse plano.
O Sábado não é apenas um dia de descanso, é um dia de reflexão e de conexão com o Criador. É um dia para lembrar de que somos criaturas de Deus e que nossa existência é parte de um plano. A palavra-chave aqui é plano maior.
Por enquanto considere a palavra-chave: Lembra-te – Descanso – Plano maior - Espaço-tempo. Porque assim mais adiante será possível compreender a linha internacional de data na perspectiva do livro de Gênesis, afinal foi Deus que criou o mundo.
A complexidade de percepção de tempo:
Se você sai do Rio de Janeiro na sexta-feira dia 10 e voa para a Nova Zelândia, sabendo que o voo leva aproximadamente 12 horas que equivale a 1 dia, então você espera chegar no sábado dia 11, correto? Porque você passou a sexta-feira voando. No entanto isso não acontece porque você chega na segunda feira dia 13. Está aí o problema: Houve desaparecimento de 2 dias. Pra você é dia da semana, dia do mês e hora completamente diferente de quem já está na Nova Zelândia. Por que isso acontece? Porque você atravessou a linha Internacional de Data – LID.
• Sexta-feira, dia 10 (partida do Rio de Janeiro)
• Sábado, dia 11 (voo – dia que desaparece)
• Domingo, dia 12 (voo – dia que desaparece)
• Segunda-feira, dia 13 (chegada na Nova Zelândia)
Imagine dois amigos juntos que resolvem se deslocar 180º no planeta, sendo um para direta e outro pra esquerda. Ao se encontrarem no outro lado do planeta, também ocorrerá confusão de percepção de tempo. Um dia pra um é dia diferente pro outro.
Essa complexidade era o Paradoxo do Navegante que Fernão de Magalhães não entendeu. Ocorre quando um navegante cruza a Linha Internacional de Data, passando de um dia para o outro. Se o navegante parte de um local no dia 1º e cruza a linha de data no meio do oceano, ele pode perder ou ganhar um dia, dependendo da direção da viagem. Isso cria um paradoxo, pois o navegante pode ter vivenciado dois dias diferentes com o mesmo nome, ou ter perdido um dia inteiro.
Esse paradoxo ilustra como a percepção do tempo pode ser influenciada pela localização geográfica e pela convenção de datas e horários. É um exemplo clássico de como a complexidade da percepção do tempo pode levar a situações aparentemente paradoxais.
Obviamente esse paradoxo implica na questão do sábado para o religioso.Quanto ao fuso horário:
O conceito de tempo é mais complexo do que parece. O sábado, por exemplo, é um espaço de tempo que pode ser definido de diferentes maneiras. Pode ser um período de 24 horas convencionais, ou o período de sol a sol, que varia dependendo da localização geográfica e da rotação da Terra.
Mas a confusão não para por aí. A palavra "dia" também é ambígua, podendo se referir tanto ao período de 24 horas quanto ao período de luz solar de 12 horas em aproximado. Isso pode levar a diferenças de interpretação, especialmente quando se considera a perspectiva de observadores em diferentes partes do mundo.
Imagine dois observadores, um na América do Sul e outro no Japão. Para um deles, é sábado de manhã, enquanto para o outro, ainda é sexta-feira à noite. Isso mostra como o conceito de tempo pode ser relativo e dependente da perspectiva e do contexto.
A religião também pode influenciar a forma como entendemos o tempo. Para algumas religiões, o sábado é um dia sagrado que começa ao pôr do sol e termina ao pôr do sol do dia seguinte. Isso pode criar mais confusão, pois o conceito de tempo pode variar dependendo da crença e da cultura.
Em resumo, o conceito de tempo é complexo e pode variar dependendo da perspectiva, do contexto e da cultura. É importante ter em mente essas diferenças para evitar confusões e mal-entendidos.
Os fusos horários são uma divisão do planeta em regiões com horários locais específicos, baseados na longitude geográfica. Essa divisão permite que regiões diferentes tenham horários que sejam mais próximos da experiência solar local.
Imagine que você está em um avião, voando de um continente para outro. Você cruza a Linha Internacional de Data, e de repente, o dia muda. Mas não é apenas o dia que muda, é também a hora. E é aí que os fusos horários entram em cena.
Mas há lugares no planeta onde o conceito de tempo é ainda mais complexo. Em países de latitudes altas, como a Noruega e a Suécia, o sol da meia-noite é um fenômeno comum durante o verão. E nos pólos, os períodos de sol e escuridão podem durar até 6 meses, criando desafios únicos para as pessoas que trabalham lá.
Para os pesquisadores e trabalhadores que vivem e trabalham nos pólos, o conceito de tempo é ainda mais relativo. O ciclo de luz e escuridão é tão diferente do que estamos acostumados que até mesmo o conceito de sábado pode ser confuso.
Os fusos horários são como uma grande roda, dividida em 24 partes iguais. Cada parte representa uma hora diferente, e cada fuso é separado por 15 graus de longitude. É como se o planeta estivesse dividido em 24 grandes blocos de tempo, cada um com seu próprio ritmo e sua própria hora.
Essa divisão em fusos horários facilita a coordenação de atividades humanas, como voos internacionais, comunicações e negócios globais. É como se o mundo estivesse conectado por uma grande rede de tempo, que permite que as pessoas se comuniquem e trabalhem juntas, independentemente da hora ou do lugar.
Relatividade de Albert Einstein e o sábado:
O sábado é um conceito que tem sido interpretado de muitas maneiras diferentes ao longo da história. Para alguns, é um dia de descanso e adoração, enquanto para outros é um dia de lazer e diversão.
No entanto, quando olhamos para o sábado através da lente da relatividade de Einstein, podemos começar a ver que o conceito de tempo e espaço é muito mais complexo do que pensamos.
Segundo a teoria da relatividade, o tempo e o espaço são relativos e dependentes do observador. Isso significa que o sábado, como um conceito de tempo, também é relativo e pode ser interpretado de maneiras diferentes dependendo da perspectiva do observador. Esta teoria é que explica o Paradoxo do Navegante.
Por exemplo, para um astronauta em órbita ao redor da Terra, o sábado pode ser um conceito completamente diferente do que para alguém que está na superfície do planeta. Isso porque o tempo passa de maneira diferente em diferentes estados de movimento e gravidade.
Isso nos leva a questionar o que realmente é o sábado. É um dia específico da semana? É um período de tempo que podemos medir com precisão? Ou é algo mais subjetivo e relativo, dependente da nossa perspectiva e experiência?
Ao questionar o conceito de sábado dessa maneira, podemos começar a ver que a fé e a espiritualidade não precisam estar necessariamente ligadas a conceitos rígidos e dogmáticos de tempo e espaço.
Em vez disso, podemos começar a entender a fé como uma experiência pessoal, que pode ser influenciada pela nossa perspectiva e experiência, mas que não está necessariamente ligada a conceitos específicos de tempo e espaço de pura convenções humanas.
Dessa maneira, podemos começar a tirar o misticismo do sábado e trazer uma fé mais honesta e autêntica. O sábado é algo muito especial pra ser obscurecido por crendices tolas ou por ideologias vãs, e logo será explorado.
Descanso de Jesus:
O período de três dias entre a morte e a ressurreição de Jesus é um tema recorrente nas Escrituras, revelando uma profunda conexão entre o tempo, o espaço e a ação divina. Em Mateus 12:40, Jesus profetiza que estaria no túmulo por três dias e três noites, "assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe". Essa profecia é cumprida em Mateus 27:63, onde os líderes judeus pedem a Pilatos que o túmulo de Jesus seja selado até o terceiro dia, "para que os discípulos não venham e roubem o corpo dele e digam ao povo que ele ressuscitou dos mortos".
Mas por que três dias? A resposta está no fato de que Jesus observou o feriado (descanso) sabático, o sétimo dia da semana, um dia de reflexão e conexão com o Criador. Em Êxodo 20:8-11, Deus ordena que o povo de Israel observe o sábado como um dia de feriado, lembrando-se de que Deus observou um feriado (descanso) no sétimo dia após criar o mundo. Jesus, como o Filho de Deus, também observou o feriado sabático, cumprindo a lei e demonstrando sua autoridade sobre o tempo e o espaço.
Em Hebreus 4:9-10, o apóstolo Paulo escreve que "ainda resta um feriado para o povo de Deus", e que "aqueles que entram nesse feriado descansam de suas obras, assim como Deus descansou das suas". O sábado, nesse contexto, é um lembrete do descanso de Jesus após concluir sua missão, um descanso que é oferecido a todos que creem nele.
É fundamental entender o sábado como um conceito prático e concreto, ligado à missão e ao descanso de Jesus, em vez de um conceito místico ou um objeto de crendice tola.
A compreensão do sábado deve ser muito mais sólida e baseada na teologia cristã. O sábado, nesse contexto, é um lembrete do descanso de Jesus após concluir sua missão, e não um conceito de teorias de conspirações de fim do mundo como infelizmente muitos crentes tentam sustentar.
Talvez a expressão “crendice tola” seja agressiva para o contexto do texto. Mas é uma forma clara e direta de expressar a ideia de que algumas interpretações do sábado são mirabolantes e agressivas com a teologia cristã.
Além disso, o tom do texto é mais uma crítica construtiva do que uma ofensa pessoal. A ideia é esclarecer o significado do sábado do que em atacar pessoalmente aqueles que têm visões diferentes.
A palavra 'descanso':
Descanso como palavra-chave, pode parecer uma escolha óbvia para descrever o que Deus fez no sétimo dia, mas, na verdade, ela pode ser um pouco enganosa. Afinal, Deus não estava cansado ou exausto após criar o mundo. Em vez disso, Ele simplesmente parou de criar e estabeleceu o sétimo dia como um feriado, um dia de celebração e comemoração da Sua obra-prima.
A palavra 'feriado' é mais apropriada aqui, pois ela implica um período de festa e alegria, em vez de simplesmente um período de repouso. E a etimologia da palavra 'feriado' é fascinante. Ela vem do latim 'feria', que significa 'dia de festa' ou 'dia de celebração'. Isso reflete perfeitamente a ideia de que o sétimo dia é um dia de celebração e comemoração da criação de Deus. E, como já dito, descanso de Jesus.
Com essa perspectiva, podemos entender melhor a expressão 'sexto dia após o feriado' (sexta-feira) ou 'segundo dia após o feriado (segunda-feira)’ e assim por diante. Ela não se refere a um período de descanso, mas sim a um período de tempo que se segue a um feriado ou dia de celebração. É uma forma de marcar o tempo, de celebrar a criação de Deus e de lembrar-nos da Sua soberania sobre o universo.
Lembra-te:
Lembra-te do dia do sábado... Essa palavra-chave, gravadas no coração do decálogo, nos 10 mandamentos, são um convite eterno para que nos lembremos da obra-prima de Deus. É um lembrete de que o sábado não é apenas um dia de descanso, mas um dia de adoração, comunhão e conexão com o Criador.
A palavra-chave 'Lembra-te' é um comando divino que nos pede para não esquecermos a importância do sábado. É um chamado para que nos lembremos da obra de Deus, da Sua soberania e da Sua amorosa providência. É um lembrete de que o sábado é um dia sagrado, um dia de celebração e comemoração da criação de Deus.
Ao lembrarmos do sábado, estamos, na verdade, lembrando-nos de Deus. Estamos reconhecendo a Sua autoridade, a Sua sabedoria e a Sua amorosa presença em nossas vidas. Estamos fortalecendo nossa relação com Ele e nos conectando com a Sua vontade e propósito para nossas vidas.
O plano maior:
Considerando o plano maior, como palavra-chave, podemos entender que o sábado faz parte de uma narrativa mais ampla, que é a missão de Jesus Cristo. O plano maior é Jesus, que morreu pelo pecado de todos e descansou no sábado após sua morte (Hebreus 4:9-10).
No dia em que Jesus descansou neste sábado, ele estava sozinho. Os apóstolos, discípulos e amigos o deixaram sozinho, um fato que nos lembra da solidão que Jesus sentiu no Getsêmani (Mateus 26:36-46).
Mas, ao contrário dos discípulos que abandonaram Jesus, nós devemos estar ao lado dele, tanto no Getsêmani quanto no sábado de descanso após sua morte. Devemos lembrar que o sábado é um momento para refletir sobre a missão de Jesus e sobre a nossa própria missão como seguidores dele.
Infelizmente, muitas pessoas esquecem disso e levam o sábado para ideias malucas, criando teorias de conspirações e perdendo o foco na verdadeira mensagem do sábado. Mas, ao entender o plano maior, podemos ver que o sábado é nada mais do que entender a missão de Cristo a cada sábado.
Como disse o apóstolo Paulo, "Portanto, não julguemos mais uns aos outros, mas antes julgai isto: não ponhais obstáculo ou escândalo ao irmão" (Romanos 14:13). Vamos, então, entender o plano maior e viver o sábado de acordo com a vontade de Deus.
A Relatividade do Sábado: Uma Reflexão sobre Espaço-Tempo e Adoração
Quando pensamos no sábado, geralmente o associamos a um dia específico da semana, um momento de descanso e adoração. No entanto, a relatividade de Albert Einstein nos mostra que o tempo e o espaço não são absolutos, mas sim relativos ao observador.
Isso significa que a nossa percepção do tempo e do espaço pode variar dependendo da nossa perspectiva e do nosso referencial. E isso nos leva a refletir sobre a natureza do sábado. Se o tempo e o espaço são relativos, então o sábado também pode ser visto como um conceito relativo.
Não é apenas um dia específico da semana, mas sim um momento de reflexão e adoração que pode ser experienciado de diferentes maneiras, dependendo da nossa perspectiva e do nosso referencial. Além disso, a teoria da relatividade nos mostra que o tempo pode ser flexível e maleável.
O que fica explícito é que Jesus, como criador do mundo, transcende as limitações do espaço e do tempo. O sábado como um conceito, pode ser visto como uma oportunidade para nos conectarmos com essa transcendência, para nos lembrarmos de que o tempo e o espaço não são absolutos, mas sim relativos à vontade de Deus.
E é aqui que entra a importância do entendimento científico de espaço-tempo. Conceitos como o fuso horário, paradoxo do navegante e linha internacional de data mostram que o tempo não é absoluto, mas sim relativo à localização geográfica e à perspectiva do observador.
Isso teve um impacto significativo nas organizações religiosas que guardam o sábado. Em vez de considerar o sábado como um dia universal e absoluto, elas passaram a vê-lo como uma referência local, válida apenas para cada país e região da Terra.Isso significa que, dependendo do fuso horário e da localização geográfica, o sábado pode ser celebrado em diferentes dias e horários. Essa abordagem mais flexível e adaptável permite que as comunidades religiosas respeitem a tradição do sábado, ao mesmo tempo em que reconhecem a complexidade e a relatividade do tempo.
E assim, a relatividade do sábado nos leva a uma reflexão profunda sobre a natureza do tempo e do espaço, e sobre a importância de adaptarmos nossas tradições e práticas à complexidade do mundo em que vivemos.
4. ADÃO - FEITO DE BARRO
“Então, formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (GÊNESIS, 2:7).
Essa passagem levanta algumas questões intrigantes: por que Deus formou o homem da terra, enquanto os animais foram criados apenas por Sua Palavra? Por que soprou em suas narinas, se outros seres vivos já respiravam? O que realmente significa "fôlego de vida" e "alma vivente?"
O Escultor e a Estátua
A cena descrita em Gênesis lembra um escultor moldando sua obra-prima. Curiosamente, um episódio no evangelho de João reforça essa imagem: “Jesus cuspiu na terra, fez lodo com a saliva, aplicou-o nos olhos do cego e o curou” (JOÃO, 9:6). Esse ato remete à criação de Adão, onde Deus usou a terra para formar o primeiro homem.
Mas por que Deus escolheu criar o homem com as mãos, enquanto os animais surgiram apenas por Sua Palavra? A resposta é simples: aquilo que se faz com as mãos representa uma obra de arte. Diferente dos outros seres vivos, o homem foi formado com um cuidado especial, como uma escultura feita pelo próprio Criador. Essa imagem transmite valor e singularidade à existência humana.
O Sopro de Vida
O detalhe do sopro divino em Adão nos convida a refletir sobre a origem da vida e nossa dependência direta de Deus. O fôlego, ou respiração, é essencial para a existência, e a Bíblia enfatiza que essa vida vem Dele. Historicamente, muitas tradições religiosas interpretam o "fôlego de vida" como algo transcendente, um espírito imortal que anima o corpo. No entanto, se analisarmos o texto de forma mais direta, sem misticismo, podemos compreender que Deus simplesmente deu a Adão o que todos os seres vivos possuem: a capacidade de respirar.
O Retorno ao Pó e o Fôlego de Vida
Eclesiastes 12:7 afirma: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Essa passagem é frequentemente usada para argumentar que há algo imortal no homem que retorna a Deus. Mas o próprio contexto sugere um significado mais simples: o corpo retorna ao pó porque foi formado da terra, e o "espírito"—entendido aqui como o fôlego ou a respiração—cessa e retorna à sua fonte.
Alma Vivente: O Que Realmente Significa?
O texto bíblico diz que Adão passou a ser uma "alma vivente". Muitas tradições religiosas interpretam isso como a criação de um ser com um espírito imortal. No entanto, se olharmos para o significado original da palavra "alma" na Bíblia, vemos que ela se refere simplesmente ao ser vivo. O próprio relato da criação nos dá pistas: a Bíblia menciona as "almas marinhas" (peixes) e as "almas voadoras" (aves). Isso indica que a palavra "alma" não se refere a algo separado do corpo, mas sim à própria existência biológica.
Reflexão
Ao longo da história, a busca por respostas sobre a natureza da alma e do espírito gerou interpretações místicas, muitas vezes distantes da simplicidade do relato original. Compreender esses conceitos de forma mais natural pode nos aproximar ainda mais da realidade de Deus, sem a necessidade de explicações mirabolantes. Afinal, a grandiosidade da criação já é, por si só, um mistério fascinante.
5. ADÃO – O INORGÂNICO QUE VIROU ORGÂNICO
A Origem da Vida: Entre Ciência e Escritura
A origem da vida é um tema central tanto para a ciência quanto para a fé. Enquanto a ciência busca explicá-la por meio de processos naturais, a tradição religiosa a descreve como um ato divino. Mas e se ambas as perspectivas não fossem conflitantes? Se, em vez disso, a narrativa bíblica da criação pudesse dialogar com o conhecimento científico, revelando uma harmonia entre a fé e a razão?
Do Big Bang à Terra Primitiva
Segundo o conhecimento científico atual, o universo teve início com o Big Bang, um evento cósmico que lançou matéria e energia pelo espaço, dando origem às primeiras estrelas e galáxias. Tudo o que existe na Terra – cada elemento químico presente no solo, no ar e nos organismos vivos – veio de antigas estrelas que, ao explodirem, dispersaram os átomos que hoje compõem nosso planeta.
Curiosamente, a Bíblia já apresenta um cenário semelhante. Em Gênesis 1:2, antes mesmo de Deus iniciar a criação, a Terra já existia, mas era “sem forma e vazia”, coberta por muitas águas. Esse retrato lembra um planeta ainda em formação, caótico e inóspito, até que forças ordenadoras entrassem em ação.
A Água: Elemento Fundamental
Na biologia, sabe-se que a molécula de água é essencial para a vida. Sem ela, processos bioquímicos fundamentais não ocorreriam. É intrigante que o relato de Gênesis destaque a presença da água antes da criação do primeiro dia. Isso sugere uma base compatível com a ciência: antes da organização da vida, havia um ambiente aquático primordial.
Oparin e a Transição da Matéria Inorgânica para Orgânica
Na década de 1920, o cientista Alexander Oparin propôs a teoria da sopa primordial, sugerindo que a vida surgiu quando moléculas simples se combinaram sob condições específicas, formando compostos orgânicos. Décadas depois, o famoso experimento de Miller-Urey simulou essas condições em laboratório e obteve aminoácidos, os blocos fundamentais da vida.
Essa descoberta dialoga com o relato bíblico da criação do homem. Deus formou Adão “do pó da terra” – ou seja, a partir de elementos inorgânicos. Na perspectiva científica, isso significa que os mesmos elementos presentes no solo e na atmosfera terrestre deram origem às primeiras moléculas orgânicas.
Pasteur e o Princípio da Vida
Se Oparin mostrou que compostos orgânicos poderiam surgir de substâncias inorgânicas, Louis Pasteur, por outro lado, demonstrou que a vida não surge espontaneamente de matéria morta – apenas um ser vivo pode gerar outro ser vivo. Isso reforça a ideia de que, embora a base química da vida tenha sido formada naturalmente, um princípio ativo era necessário para dar início à existência.
Na narrativa bíblica, esse princípio ativo se manifesta no “sopro de vida” concedido por Deus a Adão. Podemos interpretar isso como o momento em que a matéria organizada se torna funcional, como um organismo que recebe a centelha necessária para viver.
O Poder Criativo do Homem
Outro aspecto fundamental do relato bíblico é que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). Isso significa que recebemos Dele não apenas a vida, mas também a capacidade de criar.
Ao longo da história, a humanidade demonstrou essa característica divina ao desenvolver conhecimento, arte e tecnologia. A própria inteligência artificial é um exemplo disso: uma criação humana que, apesar de não ter vida, reflete o poder da mente humana de estruturar sistemas complexos e inovadores.
Esse dom criativo, contudo, não deve nos levar à arrogância. Assim como Deus modelou o homem com as próprias mãos, como uma obra de arte, nossas invenções também refletem esse processo criativo. Mas, assim como Adão dependia do sopro de vida para existir, nossa criatividade só tem sentido dentro do propósito maior de Deus.
Ciência e Fé: Conflito ou Complemento?
Ao invés de serem contraditórias, a ciência e a fé podem ser complementares. A Bíblia descreve a criação usando uma linguagem acessível para a época, sem entrar em detalhes científicos. Já a ciência busca entender os processos naturais envolvidos.
No fim, ambas apontam para um mesmo fato essencial: a vida não surgiu ao acaso. Seja pela ação direta de um Criador ou por meio das leis naturais estabelecidas no universo, a existência da vida na Terra é a maior prova da grandiosidade de Deus.
6. O SIGNIFICADO DA CRIAÇÃO DE EVA
“Disse mais o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gênesis 2:18).
Embora a solidão possa ser uma experiência difícil, nem sempre é algo negativo. Muitas vezes, ela é um espaço de autodescoberta, crescimento pessoal e espiritualidade. Contudo, sabemos que Deus criou o homem e a mulher para viverem em comunidade e relacionamento, pois a convivência mútua traz consigo alegria, apoio e a chance de vivenciar o amor. Não é bom que o ser humano viva só, pois ambos, homem e mulher, precisam um do outro para crescer, aprender e partilhar a vida. A união entre eles, seja no casamento ou em outros tipos de relacionamento, é uma expressão do plano divino para o convívio humano.
Esse versículo reflete a beleza da complementaridade e do relacionamento mútuo. A mulher não é vista apenas como alguém que precisa de um companheiro, mas ambos, homem e mulher, são essenciais para o florescimento da humanidade. Ambos foram criados à imagem de Deus, e é na união deles que a humanidade reflete a plenitude do amor divino. Como diz Gênesis 1:27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
O modo como Deus criou Eva de maneira simbólica, tirada da costela de Adão, traz um belo ensinamento. Não foi de sua cabeça, para ser superior, nem de seus pés, para ser inferior. Mas do lado de Adão, do mesmo modo que ela deveria estar ao seu lado, amada e protegida, como companheira e igual em todos os aspectos. Eva foi criada da costela de Adão, um símbolo de igualdade e parceria entre ambos. O propósito divino para o relacionamento entre homem e mulher é de mutualidade, de apoio, respeito e amor. Quando se pensa na criação de Eva, devemos lembrar que ela é, como Adão, uma criação perfeita de Deus, dotada de dignidade e propósito divinos.
É possível imaginar a beleza de Eva, criada diretamente das mãos do Criador, com uma beleza que transcende o físico. Eva possuía não apenas uma aparência física admirável, mas também uma beleza espiritual e uma essência divina que refletia a perfeição da criação. Adão, ao contemplar Eva, reconhece nela algo profundamente belo e valioso, dizendo: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne, chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gênesis 2:23). Adão vê em Eva um reflexo de sua própria essência, uma parceira e companheira para toda a vida.
Deus, ao contemplar o amor entre Adão e Eva, os abençoou com a capacidade de gerar vida, dizendo-lhes: “Multiplicai-vos e enchei a terra” (Gênesis 1:28). Essa união, mais do que uma união física, é uma representação do amor divino, refletido na parceria mútua, no respeito e no compromisso de ambos. O casamento, como qualquer relacionamento, deve ser vivido com cuidado, amor e responsabilidade, em harmonia com o propósito de Deus para a vida de ambos.
A união de Adão e Eva é um modelo de como Deus deseja que o homem e a mulher vivam juntos: em respeito, amor e companheirismo. Ambos têm a responsabilidade de se apoiar, cuidar e amar um ao outro. Essa responsabilidade não é unilateral, mas compartilhada, pois o verdadeiro amor é sempre recíproco. O homem e a mulher, ao se unirem, tornam-se uma só carne, mas, ao mesmo tempo, devem sempre se lembrar de que são igualmente preciosos aos olhos de Deus.
"Criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gênesis 1:27). Essa declaração divina reforça a igualdade entre homem e mulher, pois ambos refletem a imagem do Criador e compartilham da mesma dignidade.
O governo do homem sobre a mulher, mencionado em Gênesis 3:16, como ato de governar, não deve ser entendido como um sinal de superioridade, mas como um chamado à responsabilidade de cuidar, proteger e zelar, portanto isso é governar. Assim como Deus governa com amor e justiça, o homem deve exercer sua liderança com sabedoria e compaixão, enquanto a mulher, em seu desejo e entrega, complementa essa união com graça e força. Juntos, formam uma aliança equilibrada e harmoniosa, cumprindo o propósito divino.
7. A ALMA E O ESPÍRITO: UMA ABORDAGEM AMPLA
Conotação é a relação mútua entre duas coisas de forma não literal, usada para ilustrar algo. Por exemplo: quando se diz "o coração de sei lá quem pertence à sua amada", entende-se que o coração não pertence literalmente à pessoa amada, pois, se fosse o caso, o indivíduo morreria, pois não poderia viver sem esse órgão vital. Esse é um exemplo de conotação. Já a denotação se refere ao fato real e literal — o que se diz “ao pé da letra”.
Embora a diferença entre conotação e denotação possa parecer simples, ela é fundamental quando tratamos de conceitos como espírito, alma e corpo. Vejamos alguns exemplos para ilustrar isso:
Espírito como pensamento
Quando dizemos "o espírito de Julieta estava ligado ao seu amado Romeu", ou "o homem espiritual está ligado a Deus", ou ainda "D. Pedro estava no Brasil, mas seu espírito estava em Portugal", o vocábulo "espírito" é usado de forma conotativa, referindo-se ao pensamento ou à atenção mental. Caso substituíssemos "espírito" por "pensamento", o sentido se manteria claro.
Espírito como mente ou cérebro
Em expressões como "os palhaços dos circos têm espírito criativo", "os cientistas têm espírito aguçado" ou "os pessimistas têm espírito depressivo", o termo "espírito" se refere à mente ou à disposição psicológica de uma pessoa.
Esses exemplos mostram que o vocábulo "espírito" pode ter diversos significados, dependendo do contexto. E, como será abordado mais adiante, também existe o Espírito de Deus, que merecerá uma explicação própria.
Denotação de alma:
Em termos denotativos, "alma" pode ser simplesmente entendida como a pessoa em si, como ilustrado na equação simples: A = C + E, onde A é a alma, C é o corpo e E é o espírito. Isso implica que a alma não é algo que "ganhamos", mas o resultado da união do corpo com o espírito — como descrito em Gênesis 2:7, quando Adão, formado do pó da terra, se tornou uma alma vivente. Nesse sentido, Adão não "ganhou" uma alma, mas passou a ser uma alma, composta por corpo e espírito.
Conotação de alma:
Por outro lado, o termo "alma" também pode ser usado de maneira conotativa, como em expressões como: "Afligiu-se a alma de Julieta quando morreu seu amado Romeu", ou "A alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:20). Também ouvimos frases como "não há uma viva alma em um deserto", ou "a propaganda é a alma do negócio", ou ainda "de que adianta o homem ganhar o mundo e perder a sua alma?" Nesses casos, "alma" é usada como sinônimo de vida, sentimento ou essência.
Esses exemplos ilustram como "alma" pode ser entendida de maneiras diferentes, dependendo do contexto, seja como vida, ser interior ou essência de uma pessoa. Em várias situações, a conotação de "alma" é associada à vitalidade e ao movimento.
Alma e Espírito nas Diversas Tradições Religiosas e Culturais
Quando falamos sobre alma e espírito, é importante notar que essas palavras carregam significados diferentes, dependendo da tradição religiosa, filosofia ou visão cultural. Vamos explorar algumas dessas visões mais amplas:
Visão Judaico-Cristã
Na tradição judaico-cristã, o conceito de alma é frequentemente associado à essência imortal do ser humano, aquela parte que sobrevive à morte e se relaciona com Deus. A alma é entendida como o princípio vital e a consciência de uma pessoa. Já o espírito tem uma conotação mais ligada à capacidade de se conectar com o divino. A alma seria a fusão entre o corpo físico e o espírito, sendo a representação completa do ser humano. Quando Deus soprou o "fôlego de vida" em Adão, ele se tornou uma "alma vivente" (Gênesis 2:7). Portanto, alma e espírito não são vistos como entidades separadas, mas sim partes de um todo que forma o ser humano. Algumas correntes cristãs, porém, veem a alma como algo imortal e eterna, enquanto o corpo perece, e o espírito pode ser uma faceta mais ligada ao relacionamento com Deus.
Visão Hindu
No Hinduísmo, o conceito de alma é profundo e multifacetado. A alma, ou Atman, é a essência eterna e indivisível de uma pessoa. Ela não é vista como a "personalidade" de alguém, mas como a parte imortal que transcende o ciclo de nascimento e morte (o samsara). Em contraste, o espírito no Hinduísmo pode ser entendido como a força que nos conecta ao divino, ou mesmo como o Brahman, a realidade suprema, universal e impessoal. A união entre o Atman e o Brahman é o objetivo final da vida humana — a moksha, a libertação do ciclo de renascimento. A alma, então, está em um processo contínuo de evolução, através de reencarnações, até alcançar a união com o divino.
Visão Budista
O Budismo, por sua vez, não adota uma visão eterna de alma. Na filosofia budista, a alma não é imortal; em vez disso, o conceito de anatman ou "não-eu" reflete a ideia de que não existe uma essência permanente ou imutável dentro de cada ser. Em vez disso, a existência é vista como um fluxo constante de causas e efeitos, onde a identidade pessoal é fluida e transitória. O espírito, no contexto budista, pode ser entendido como a consciência ou a energia vital que impulsiona o ciclo de vida e morte, e que, ao atingir o estado de iluminação (nirvana), pode se libertar desse ciclo.
Visão Greco-Romana:
Os gregos antigos, especialmente em filosofias como o Platonismo, viam a alma como a essência imortal que permanece depois da morte do corpo.Platão dividiu a alma em três partes: a racional (lógica), a irascível (emocional) e a concupiscível (desejos e apetites). Para Platão, a alma era o centro da moralidade e da razão, e sua jornada era em busca da verdade. Já para Aristóteles, a alma era a forma do corpo, e sua separação do corpo não era tão clara quanto na visão platônica. O espírito nas culturas greco-romanas, por outro lado, estava frequentemente associado à razão ou à vontade, um princípio racional que orienta a vida humana.
Visão Islâmica
No Islã, a alma (ou nafs) é considerada o princípio imortal que dá vida ao corpo e tem uma relação direta com Deus. A alma é vista como algo criado por Deus e, após a morte, ela experimenta julgamento e destino eterno. O espírito (ou ruh) no Islã, por sua vez, é o fôlego divino que Deus insufla no corpo, sendo o elo direto com o divino. No Alcorão, a relação entre corpo, alma e espírito é descrita como uma interação complexa, mas o objetivo final para o muçulmano é a purificação da alma e a submissão à vontade de Deus.
Visão de Outras Culturas
Outras tradições, como as indígenas americanas ou africanas, têm concepções espirituais que combinam corpo, alma e espírito de maneiras diversas. Muitas culturas acreditam em uma relação intrínseca entre a alma e a natureza, com rituais que envolvem os espíritos ancestrais, a sabedoria dos mortos e a comunicação com o mundo espiritual.
Esses exemplos ilustram a diversidade de interpretações sobre o que são a alma e o espírito. Contudo se lê: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequeil 18:20).
8. A TRINDADE
Todos os cristãos são unânimes no tocante à Trindade, ou seja, acreditam que Jesus é Deus, assim como o Espírito Santo e o Pai também "são" Deus! Embora esse ponto doutrinário pareça confuso, todos os cristãos aceitam de forma confortável, pois todos são batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo.
Pode parecer complicado, porque parte do pressuposto que: se Jesus é Deus, se o Espírito Santo é Deus, e se o Pai é Deus, logo passa a impressão de politeísmo. Mas não é! Nossa fé é baseada na Trindade, portanto, monoteísta! Segundo os teólogos, a definição técnica é Monoteísmo Trinitariano.
• Disse Deus ao criar o homem: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26).
• Disse Deus após o pecado no Éden: “Eis que o homem se tornou como um de Nós, conhecedor do bem e do mal” (Gênesis 3:22).
• Disse Deus ao povo de Babel: “Vinde, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a linguagem do outro” (Gênesis 11:7).
Para entender a Trindade, pense em H2O. A água existe em três estados físicos: líquido, sólido e gasoso, isto é, três formas distintas, três estados físicos, três temperaturas distintas, três densidades diferentes. Os três são água (obs.: são água, no singular).
Deus nos é apresentado na Bíblia de três formas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, isto é, três formas, três seres. Os três são Deus (obs.: são Deus, no singular).
Os termos Deus Pai e Deus Filho são nomes característicos do Novo Testamento em função do nascimento (encarnação ou transformação em homem) de "Um" dos três. Portanto, o que nasceu passou a ser o Filho de Deus e "Um" dos outros dois passou a ser o Pai. O "Um" restante que não é Pai e nem é Filho é conhecido como Espírito Santo.
Espírito Santo é também conhecido como Espírito de Deus ou Espírito, sendo esses termos comuns ao Antigo e Novo Testamentos.
Deus também é conhecido pelo tetragrama de consoantes YHWH. Mais tarde foram acrescentadas duas vogais, onde lê-se: Yahweh ou Jehovah.
Cada “Um” possui um papel especial:
• Deus Filho = É o salvador do mundo, sendo intercessor entre Deus Pai e o homem.
• Deus Pai = Perdoa o pecador somente através do Deus Filho.
• Deus Espírito Santo = É o que trabalha no coração do pecador, levando-o ao arrependimento.
O Universo foi criado simultaneamente por:• Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
• Nenhum é inferior ou superior ao outro.
• Os três são “Um” em glória e poder.
• Os três são Oniscientes (tudo sabem)
• Onipresentes (estão em todo lugar) e Onipotentes (tudo podem).
Jesus: Unigênito e Primogênito dentro da Trindade
Dentro da Trindade, Jesus é descrito de maneira singular. Embora seja totalmente Deus, Ele é chamado de "unigênito", o que significa que Ele é o único Filho gerado diretamente pelo Pai, com uma relação única e exclusiva com Deus. Essa distinção é crucial para compreender a unidade e a singularidade de Cristo dentro da Trindade.
No entanto, Jesus também é chamado de "primogênito", um termo que destaca Sua primazia e posição de autoridade sobre toda a criação e a Igreja. Isso não significa que Ele foi criado, mas que Ele tem a supremacia sobre todas as coisas, como o primeiro em importância, a quem toda a criação está sujeita.
Portanto, esses dois termos — unigênito e primogênito — revelam diferentes aspectos de Jesus dentro da Trindade: Sua natureza única como Filho de Deus e Sua posição exaltada sobre tudo que foi criado.
Espécie e Espécime: Uma Analogia para a Trindade
Em biologia, espécie é um grupo de organismos que compartilham características semelhantes e têm a capacidade de se reproduzir entre si, gerando descendentes férteis. Por exemplo, a espécie Homo sapiens inclui todos os seres humanos.
Já o termo espécime refere-se a um único indivíduo de uma espécie, que pode ser estudado como exemplo. Assim, quando dizemos "três espécimes de uma única espécie", estamos falando de três indivíduos pertencentes ao mesmo grupo, representando a diversidade de organismos dentro dessa espécie.
De forma análoga, podemos entender a Trindade como uma unidade composta por três indivíduos distintos, mas coesos em essência: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Assim como na biologia a espécie é o grupo de organismos com características comuns, a Trindade representa a unidade de Deus, sendo cada uma das pessoas divinas um "indivíduo" distinto, mas todos sendo Deus.
Portanto, a Trindade pode ser comparada a uma espécie com três espécimes. A Trindade seria a unidade divina (semelhança à espécie), e cada pessoa divina (Pai, Filho e Espírito Santo) seria como um espécime distinto dessa unidade, ou seja, um exemplo individual da totalidade de Deus. Embora sejam três "pessoas", elas não são três deuses, mas um único Deus em três manifestações.
9. O ESPÍRITO SANTO
Espírito etimologicamente:
A palavra "espírito" vem do latim spiritus, que significa "sopro" ou "respiração". Essa raiz etimológica remete ao conceito de algo invisível, mas presente e essencial à vida, como o ar que respiramos. Ao longo da história, diferentes culturas e religiões associaram o termo a forças vitais, consciências imateriais ou seres espirituais.
No entanto, no contexto bíblico, o "Espírito" não é uma mera abstração ou princípio vital, mas um ser com identidade própria. Essa diferenciação é essencial, pois evita interpretações que reduzem o Espírito Santo a uma energia impessoal ou a uma manifestação indefinida da divindade.
Espírito de Deus:
A Bíblia menciona o "Espírito de Deus" desde o início da criação (Gênesis 1:2). Muitos interpretam essa expressão como uma força que permeia o universo, mas essa visão não corresponde ao contexto bíblico. O Espírito de Deus é um ser consciente e pessoal, que age, ensina, guia e se relaciona com a humanidade.
Ao contrário das leis da física, que descrevem como a matéria e a energia interagem, o Espírito de Deus não é um fenômeno natural, mas um ser com vontade própria. Ele não é uma força difusa no cosmos, mas Aquele que se manifesta conforme a vontade divina.
Espírito Santo:
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade, distinto do Pai e do Filho, mas compartilhando da mesma essência divina. Em muitas tradições, Ele tem sido erroneamente compreendido como uma força abstrata, semelhante a um campo de energia ou uma influência mística. No entanto, a Bíblia O descreve como alguém que fala (Atos 13:2), que ensina (João 14:26) e que pode ser entristecido (Efésios 4:30), características que não se aplicam a uma energia ou força impessoal.
Dessa forma, é fundamental entender que o Espírito Santo não é uma mera manifestação do poder divino, mas sim um ser consciente que age de maneira intencional e relacional.
Consolador:
Jesus referiu-se ao Espírito Santo como "o Consolador" (João 14:16), indicando Sua função ativa na vida dos crentes. Esse título reforça a individualidade do Espírito Santo, pois apenas um ser pessoal pode consolar, ensinar e interceder.
A ideia de um Consolador vai além de uma presença impessoal. O Espírito Santo não é um conceito abstrato de conforto ou uma força reconfortante no universo. Ele é um ser que se relaciona, compreende as dores humanas e age com propósito, revelando a verdade e fortalecendo os que creem.
Espírito como força ativa:
O termo "força ativa" não é um conceito físico válido. Na ciência, força é definida como uma interação que altera o movimento de um corpo, e a energia é a capacidade de realizar trabalho. Assim, falar de "força ativa" implicaria a existência de uma "força inativa", algo que não faz sentido.
Aplicar essa ideia ao Espírito Santo é um erro, pois Ele não é uma força em ação, mas um ser com vontade e propósito. Diferente da energia, que é apenas um atributo da matéria e não possui identidade própria, o Espírito Santo existe como um indivíduo da Trindade, e não como uma manifestação impessoal do poder divino.
Espírito e as crenças espiritualistas e espíritas:
O termo "espírito" adquiriu múltiplos significados em correntes espiritualistas e esotéricas. Algumas tradições associam os espíritos a manifestações de mortos, guias ou entidades de outra dimensão. No espiritismo, acredita-se que espíritos desencarnados interagem com os vivos, transmitindo mensagens e influenciando eventos.
Contudo, essas crenças não têm relação com o conceito bíblico do Espírito Santo. Ele não é um espírito humano, nem um intermediário entre o mundo físico e o espiritual, mas sim o próprio Deus agindo na história. A confusão entre os diferentes usos da palavra "espírito" levou a equívocos, nos quais se tenta encaixar o Espírito Santo em categorias esotéricas que não correspondem à sua real identidade.
A pessoa espírita ou médium:
No contexto espírita, um médium é alguém que serve de intermediário entre os vivos e os espíritos. Essa prática parte da crença de que os mortos continuam ativos em outra dimensão e podem interagir com os vivos.
No cristianismo, porém, essa ideia entra em conflito com a visão bíblica da morte e do papel do Espírito Santo. Diferente dos espíritos descritos no espiritismo, o Espírito Santo não é uma entidade transitória ou limitada. Ele é eterno, divino e não depende de médiuns para se comunicar com a humanidade.
O entendimento desses termos ao longo da história:
Ao longo dos séculos, a compreensão do termo "espírito" passou por diversas transformações. No pensamento filosófico grego, espírito (pneuma) era um princípio vital. No pensamento medieval, o Espírito Santo era visto muitas vezes de forma mística e até impessoal. No espiritismo moderno, espírito tornou-se sinônimo de alma desencarnada.
Essa evolução mostra como o termo foi influenciado por diferentes contextos culturais e filosóficos. No entanto, no cristianismo bíblico, o Espírito Santo sempre foi apresentado como um ser pessoal, distinto de conceitos naturalistas ou espiritualistas.
Conclusão:
A clareza conceitual sobre o Espírito Santo é fundamental para evitar interpretações errôneas que o confundem com energia, força ou princípio abstrato. Ao longo deste trabalho, buscamos diferenciar a visão bíblica da concepção mística e esotérica, mostrando que o Espírito Santo é um ser pessoal, com vontade própria e papel definido dentro da Trindade.
Assim, se conclui o Espírito Santo não é um campo de energia, uma força impessoal ou uma presença indefinida no universo. Ele é Deus, presente e atuante na história da humanidade.
10. FÉ
A história de Gênesis é uma jornada de fé. Desde a criação do mundo até a chamada de Abraão, a fé é o fio condutor que une os eventos e personagens dessa narrativa. Então segue o conceito de fé.
Fé e Tamanho da Fé
Jesus disse que a fé que temos não é grande o suficiente para realizar as coisas que Ele está falando. Mas, ao mesmo tempo, Jesus também está mostrando que não é necessário ter uma fé gigantesca para realizar coisas grandes. Um grão de mostarda é muito pequeno, mas é suficiente para fazer uma grande diferença.
Em Mateus 17:20, está escrito: "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: 'Muda-te daqui para ali', e ela se mudará, e nada vos será impossível".
Aqui, Jesus destaca a importância de ter fé, independentemente do seu tamanho. O que importa não é o tamanho da fé, mas sim a qualidade e a autenticidade dela.
Fé e Amor
A fé não é apenas uma questão de crença intelectual. Ela também é uma questão de amor e ação. Em 1 Coríntios 13, está escrito: "Se tiver o dom de profecia, se conhecer todos os mistérios e toda a ciência, e se tiver toda a fé, de modo que possa remover montanhas, mas se não tiver amor, não sou nada". Aqui, Paulo destaca a importância do amor na fé. Sem amor, mesmo a fé mais poderosa não tem valor. O amor é o que dá significado e propósito à nossa fé.
Fé e Confiança
Provérbios 3:5-6, que diz: "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes na tua própria prudência. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas".
Essa passagem enfatiza a importância de confiar no Senhor com todo o coração, e não se apoiar na própria prudência. Isso se alinha perfeitamente com o conceito de fé como confiança.
Abrão, por exemplo, é um exemplo inspirador de confiança em Deus. Em Gênesis 12:1-4, está escrito: "O Senhor disse a Abrão: 'Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei. Farei de ti uma grande nação, e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome, e serás uma bênção'". Abrão confiou em Deus e obedeceu, mesmo quando não sabia o que iria encontrar (Gênesis 12:5-9).
Outros exemplos incluem Enoc, que foi levado para o céu sem experimentar a morte (Hebreus 11:5); Noé, que construiu a arca e salvou sua família do dilúvio (Hebreus 11:7); e Moisés, que liderou os israelitas para fora do Egito e recebeu as tábuas da lei de Deus (Hebreus 11:27).
Esses exemplos mostram que a fé é uma questão de confiança em Deus e em Sua promessa, mesmo quando não temos certeza do que irá acontecer.
Fé e Visão
Uma das definições mais famosas de fé é encontrada em Hebreus 11:1, que diz: "A fé é a certeza daquilo que se espera e a convicção daquilo que não se vê". Essa passagem destaca a ideia de que a fé é uma questão de confiança em algo que não podemos ver.
outras palavras, caso Jesus estivesse em pessoa diante de nós, quando Ele partisse, a nossa certeza e credibilidade seria muito grande, mas a fé acabaria, porque parte do pressuposto que a fé é quando não vemos e cremos. Isso é ilustrado pela resposta de Jesus a Tomé, que duvidou da ressurreição de Jesus até que viu as marcas dos pregos em suas mãos. Jesus lhe disse: "Porque me viste, creste? Felizes são aqueles que não viram e creram" (João 20:29).
passagem é parte da narrativa da ressurreição de Jesus e da aparição dele a Tomé, que é conhecido como o "Discípulo Duvidoso". Ela destaca a importância da fé em algo que não podemos ver, e a bênção que vem daqueles que creem sem ver.
Fé e Obediência
A fé e a obediência estão intimamente relacionadas. Em João 14:15, Jesus diz: "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos". Essa passagem destaca a ideia de que a fé envolve responder à palavra de Deus com obediência.
Além disso, em Tiago 2:26, está escrito: "Porque assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta". Essa passagem enfatiza a importância de que a fé seja acompanhada de obras, ou seja, de obediência.
A obediência é um teste da fé, e é através da obediência que demonstramos nossa confiança em Deus. Como disse o apóstolo Paulo em Romanos 1:5: "Pela qual recebemos graça e apostolado, para obediência à fé entre todas as nações pelo seu nome".
Fé e Obras
A fé e a ação estão intimamente relacionadas. Em Tiago 2:17-18, está escrito: "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: 'Você tem fé, e eu tenho obras'. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas minhas obras".
Essa passagem destaca a ideia de que a fé não é apenas uma questão de crença intelectual, mas também de ação prática. A fé sem obras é inútil, e é através das obras que demonstramos nossa fé.
Além disso, em Mateus 7:21-23, Jesus diz: "Não é todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', que entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitos milagres em teu nome?' E então eu lhes direi: 'Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade'". Essa passagem enfatiza a importância de que a fé seja acompanhada de obras que agradem a Deus.
Fé e Obras: Uma Perspectiva Histórica e Teológica
A relação entre fé e obras é um tema que tem sido debatido ao longo da história da Igreja. Um dos principais expoentes dessa discussão foi Martinho Lutero, que defendeu a ideia de que a salvação é pela fé e não pelas obras.
Lutero argumentou que as obras não são capazes de salvar, pois são imperfeitas e podem ser feitas por motivos errados. Em vez disso, ele defendeu que a fé é o meio pelo qual recebemos a salvação, pois é através da fé que aceitamos a graça de Deus e nos tornamos justos diante Dele.
No entanto, é importante notar que a Igreja Católica também ensina a importância da fé na salvação, mas com uma ênfase diferente na relação entre fé e obras. A Igreja Católica defende que as obras são uma expressão natural da fé e que são necessárias para a salvação.
Independentemente da perspectiva teológica, é importante lembrar que a fé e as obras não são mutuamente exclusivas. Em vez disso, elas são complementares e se alimentam mutuamente. A fé nos inspira a fazer obras de amor e misericórdia, e as obras nos ajudam a crescer na fé e a torná-la mais viva e ativa em nossas vidas.
11. FÉ HONESTA
- Como podemos ser mais autênticos e transparentes em nossas relações com os outros?
- Como podemos cultivar uma fé que seja baseada na experiência pessoal e na intuição, mas também se abra para a razão e para a crítica?
- Como podemos viver uma fé que seja simples e humilde, e não necessariamente racional ou cega?
A Importância da Reflexão e da Introspecção:
Uma das coisas importantes é criar um espaço para a reflexão e a introspecção. Isso pode ser feito através da oração, da meditação, do diário ou de qualquer outra prática que nos ajude a conectar com nossos pensamentos, sentimentos e experiências. Também é importante ser honesto conosco mesmos e com os outros sobre nossas dúvidas, medos e incertezas. Isso pode ser difícil, mas é uma parte importante do crescimento espiritual e da construção de relações autênticas.
Perspectivas sobre a Fé:
- Dietrich Bonhoeffer: defende a "fé autêntica" e a "obediência radical", enfatizando a importância de viver uma vida de obediência a Deus. Bonhoeffer foi um teólogo alemão que lutou contra o nazismo e foi executado em 1945.
- Jacques Ellul: defende a "fé crítica" e a "desconstrução" da religião, enfatizando a importância de questionar e criticar a religião em busca da verdade. Ellul foi um teólogo e sociólogo francês que foi conhecido por suas críticas à tecnologia e ao consumismo.
- Henri Nouwen: "A fé é um ato de confiança, não um ato de compreensão."
- Henri Nouwen defendia que a fé é um caminho de confiança e entrega a Deus, que envolve abrir-se ao desconhecido e confiar em Deus mesmo quando não entendemos tudo.
O Conceito de Fé Honesta:
Se considerarmos as perspectivas desses autores, podemos concluir que a fé deve ser honesta. A fé honesta é um caminho que busca a autenticidade e a transparência em nossa relação com a espiritualidade. É um espaço seguro para explorar as questões mais profundas da vida, onde podemos ser verdadeiros conosco mesmos e com os outros.
Princípios da Fé Honesta:
- A fé honesta não é sobre ter todas as respostas, mas sobre estar disposto a fazer as perguntas certas.
- A fé honesta não é sobre ter uma fé cega, mas sobre ter uma fé que seja autêntica e transparente.
- A fé honesta é sobre encontrar um equilíbrio entre a razão e a intuição, entre a crítica e a compaixão.
Concluindo
A fé honesta, proposta por este artigo, é um conceito que pode nos ajudar a viver uma vida mais autêntica e transparente. É um caminho que busca a verdade e a liberdade, e que nos convida a sermos mais honestos conosco mesmos e com os outros. Que possamos seguir esse caminho com coragem e humildade.
12. CONCLUSÃO
A jornada por Gênesis nos permite enxergar não apenas a origem da humanidade, mas também a profunda interação entre a revelação divina e a busca humana pelo conhecimento. O relato bíblico da criação, muitas vezes interpretado de maneira rígida, pode ser melhor compreendido quando analisado em seu contexto histórico e à luz do saber atual. Ao explorar a transição do inorgânico para o orgânico, a formação do homem e da mulher e a concepção da alma e do espírito, percebemos que fé e ciência não são forças opostas, mas dimensões complementares de uma mesma realidade.
A Trindade, apresentada nas Escrituras como um mistério divino, reforça a ideia de que Deus não se limita às categorias humanas. O Espírito Santo, frequentemente mal compreendido, é revelado como um ser pessoal e ativo, distinto de forças impessoais ou interpretações esotéricas. Esse entendimento permite um aprofundamento maior na relação do homem com o Criador, destacando a importância de uma fé esclarecida e fundamentada.
Assim, Prelúdio Gênesis não pretende encerrar o debate, mas ampliar o horizonte do entendimento. A narrativa bíblica, quando estudada com abertura intelectual e sensibilidade espiritual, não se enfraquece diante do avanço do conhecimento humano — pelo contrário, revela-se ainda mais rica e inspiradora.
Quanto à fé honesta, é uma abordagem autêntica e transparente da espiritualidade. É uma fé que não se esconde atrás de dogmas ou rituais, mas sim se revela em sua simplicidade e humildade. É uma fé que não tem medo de questionar ou duvidar, mas sim se permite ser guiada pela curiosidade e pela busca da verdade.
A fé honesta é uma fé que se baseia na experiência pessoal e na intuição, mas também se abre para a razão e para a crítica. É uma fé que não se impõe sobre os outros, mas sim se oferece como uma opção de vida.A fé deve ser honesta, simples e humilde, e não necessariamente racional ou cega. É uma fé que se reconhece como imperfeita e limitada, mas também se permite ser transformada e aperfeiçoada. É uma fé que se baseia na compaixão, na empatia e no amor, e que se esforça para criar um mundo mais justo e humano, até o retorno de Jesus.
A expressão "fé honesta" toca profundamente porque reporta a importância de ser autêntico e transparente na jornada espiritual.
Cordialmente,
Prof. Jobson Victorino
📘 Nota ao leitor:
Este texto faz parte da coletânea Prelúdio Gênesis e está publicado aqui em versão fluida, preparada para leitura confortável em celulares.
A versão completa, com referências, atividades reflexivas e material de apoio, está disponível na página Biblioteca deste blog.
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