Entre o Azul das Águas e o Verde da Esperança
Entre o Azul das Águas e o Verde da Esperança
A água cobre cerca de três quartos da superfície terrestre, sendo a substância mais abundante do planeta. Está distribuída em diversos reservatórios naturais e artificiais, como oceanos, geleiras, águas subterrâneas, nuvens, lagos, rios, pântanos, açudes, mananciais, umidade do solo e na atmosfera. Precipita-se na forma de chuva, geada, neve, granizo, névoa e orvalho. Por sua abundância e importância vital, o poeta Guilherme Arantes batizou simbolicamente a Terra de Planeta Água, em sua canção homônima de 1981.
A Terra vista do espaço
Yuri Gagarin (1934–1968), cosmonauta soviético e primeiro ser humano a viajar pelo espaço em 12 de abril de 1961, declarou ao contemplar o planeta do alto: “A Terra é azul.” A frase se tornou símbolo da era espacial e deu novo significado à percepção do planeta, associando sua tonalidade à presença maciça da água.
A explicação física está na luz: apesar do Sol emitir luz branca, durante o dia, com céu limpo, as moléculas da atmosfera terrestre dispersam mais intensamente o comprimento de onda azul. Além disso, os oceanos refletem essa tonalidade para o espaço, justificando a expressão Planeta Azul.
A escassez do abundante
Estima-se que 97% da água existente seja salgada. Os 3% restantes constituem a chamada água doce, mas apenas cerca de 1% está disponível para consumo humano imediato. Esse volume ainda sofre com elevado desperdício nos setores doméstico, agrícola e industrial.
Diante desse cenário, torna-se urgente o investimento em políticas educacionais voltadas à conscientização ambiental. É necessário valorizar o Planeta Água — ou Planeta Azul — como símbolo da vida e da responsabilidade coletiva.
Dom Pedro II e a floresta
Um exemplo inspirador de consciência ecológica é Dom Pedro II (1825–1891). Em 1861, diante do desmatamento causado pelo cultivo de café, o imperador ordenou o reflorestamento da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. A restauração vegetal garantiu a recuperação de nascentes e aqüíferos, protegendo o abastecimento da cidade. Um feito pioneiro na história ambiental do Brasil.
O amanhã pede consciência
Estudos recentes indicam que, até 2025, cerca de um terço da população mundial enfrentará sérias dificuldades de abastecimento de água potável. Essa é a herança ambiental que deixamos às gerações futuras. Como alerta a música Planeta Azul, de Xororó e Aldemir, a degradação dos rios e nascentes anuncia um tempo incerto: “O rio que desce as encostas já quase sem vida / parece que chora um triste lamento das águas... / é hora de pensar no verde.”
A missão é de todos
A educação ambiental não deve ser missão exclusiva de biólogos, professores ou ambientalistas. Ela é tarefa universal, ligada à cidadania, à ética e à solidariedade com o futuro. A pergunta que ecoa é inevitável: o que será do Planeta Azul?
Enquanto a canção Planeta Água, de Guilherme Arantes, exalta a magnitude da água em nosso cotidiano, a música Planeta Azul, de Xororó e Aldemir, convida à reflexão sobre nossa responsabilidade ambiental. Duas faces da mesma moeda: celebração e advertência.
Que o Planeta Azul continue azul — não apenas por sua cor, mas por nossa consciência.
Referências
- GAGARIN, Yuri. Frase registrada durante o voo espacial em 12 de abril de 1961: “A Terra é azul.”
- ARANTES, Guilherme. Planeta Água. CBS, 1981. Disponível em: letras.mus.br
- ALDEMIR; XORORÓ. Planeta Azul. Interpretação: Chitãozinho & Xororó. Warner Music, 1991. Disponível em: letras.mus.br
- REBOUÇAS, A. C. “Água doce no mundo.” In: REBOUÇAS, A. C.; BRAGA, B.; TUNDISI, J. G. (Orgs.). Águas doces no Brasil. 2. ed. São Paulo: Escrituras, 2002.
- DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2004.
- ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola. Campinas: Papirus, 2008.
Cordialmente,
Prof. Jobson Victorino
📘 Nota ao leitor:
Este texto faz parte da coletânea Prelúdio Gênesis. Clique aqui para visualizar todas as postagens.
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