Parte 2/5 - Engano Religioso e Propaganda Ideológica Sedutora

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Parte 2/5 - Engano Religioso e Propaganda Ideológica Sedutora

Neste artigo/aula - a besta do mar é interpretada como um poder político mundial opressor, que exerce domínio absoluto e exige culto, estando associada ao número 666. A besta da terra representa o braço ideológico e religioso que sustenta e legitima esse poder político, caracterizando-se pela religião fantasiosa e pela propaganda ideológica sedutora, que promove a adoração da primeira besta por meio de milagres e imposição de culto. A relação entre o dragão e as bestas é uma aliança simbólica de poder que expressa a encarnação ideológica do mal em sistemas políticos e religiosos históricos e contemporâneos. O artigo inclui ainda uma reflexão sobre a interpretação dispensacionalista do século XIX da “marca da besta”, ressaltando a necessidade de uma fé honesta e vigilância espiritual. A compreensão crítica desses símbolos é essencial para analisar as ideias fantasiosas e a sedução ideológica que atravessam a história.

Palavras-chave: Apocalipse; besta do mar; besta da terra; engano religioso; propaganda ideológica; poder político opressor; marca da besta; sedução simbólica; fé honesta; dispensacionalismo;


  • 🔷1. A Besta Do Apocalipse: Origem Do Nome, Imagem E Função
  • 🔷2. A Besta E O Dragão: Uma Relação De Poder
  • 🔷3. Poder Político Mundial E Opressor
  • 🔷4. Engano Religioso E Propaganda Ideológica Sedutora

1. A Besta do Apocalipse: Origem do Nome, Imagem e Função

Ao iniciarmos a leitura do capítulo 13 do livro do Apocalipse, somos confrontados com uma figura estranha e perturbadora: uma besta que emerge do mar, com sete cabeças, dez chifres e aparência híbrida, composta por traços de leopardo, urso e leão. Esta imagem não é aleatória. Ela carrega um peso simbólico que se estende desde as tradições do Antigo Testamento até as tensões políticas e religiosas do primeiro século.

Mas antes de tentar identificar o que ou quem representa essa besta, é essencial compreender o próprio termo. A palavra “besta”, em português, carrega sentidos variados, muitos dos quais não se aplicam ao contexto bíblico. No original grego do Apocalipse, o termo utilizado é thērion, que significa literalmente “animal selvagem”. Esse termo era usado para designar criaturas ferozes, indomáveis, ameaçadoras — não apenas fisicamente, mas moralmente.

A besta do Apocalipse não é apenas um animal exótico; ela é uma personificação do mal institucionalizado. Surge como símbolo de um poder que se ergue contra Deus, contra o Cordeiro e contra os santos. Diferente da linguagem literal de narrativas históricas, aqui temos uma linguagem apocalíptica, onde as imagens são carregadas de significados ocultos, muitas vezes ligados à experiência de opressão, perseguição e resistência vividas pelas comunidades cristãs do primeiro século.

Essa besta que sobe do mar está diretamente ligada ao dragão, apresentado no capítulo 12. O dragão — identificado como Satanás — dá à besta o seu poder, trono e grande autoridade. A conexão entre eles indica que a besta é mais do que um império ou figura política: ela é uma extensão visível de um princípio espiritual do mal. No entanto, no capítulo 13 (onde aparece a besta do mar), o uso do “mar” está mais próximo da tradição simbólica veterotestamentária (relativa ao Antigo Testamento, também chamado de Velho Testamento) — como símbolo do caos primitivo (Gn 1:2; Sl 74:13-14; Is 27:1), especialmente em literatura apocalíptica (como em Daniel 7:3, onde as quatro bestas também sobem do mar). Alguns intérpretes também associam o mar a “povos e nações”, com base em Apocalipse 17:15, onde as “águas” são explicadas como “povos, multidões e línguas”. Ambas as leituras revelam aspectos distintos e complementares do símbolo.

No Salmo 74:13-14, um texto veterotestamentário, o mar é descrito em imagens poderosas: "Tu dividiste o mar pelo teu poder; quebraste as cabeças dos monstros nas águas. Tu quebrou o cabeção do Leviatã, tu o deste por comida às criaturas do deserto." O Leviatã aqui é um monstro marinho que simboliza o caos e a força descontrolada da natureza contrária a Deus. Essa figura aparece várias vezes no imaginário bíblico como símbolo do mal primordial.

Navegadores medievais e renascentistas — no auge das grandes navegações — compartilhavam crenças em monstros marinhos que povoavam as águas desconhecidas, reforçando o simbolismo do mar como território de perigo, mistério e forças ameaçadoras. Essa percepção cultural ajuda a entender a profundidade do símbolo da besta surgindo do mar no Apocalipse: não apenas um simples poder político regional, mas uma representação do temor ancestral das forças do caos e do mal que se opõem à ordem divina.

Além disso, a besta exerce domínio global (Apocalipse 13:3-8). As pessoas de todas as nações se maravilham diante dela. Elas não apenas temem sua força, mas se entregam ao seu fascínio. É a sedução do poder absoluto, a propaganda ideológica que transforma o opressor em ídolo. Trata-se de um culto político disfarçado de devoção, onde o medo e o encantamento andam juntos. Essa é a dimensão simbólica da besta como aparato de sedução, engano e adoração.

Por ora, é importante reconhecer que a besta do Apocalipse não é uma invenção isolada nem uma figura de terror gratuita. Ela nasce da fusão de tradições simbólicas antigas com uma leitura crítica e corajosa do poder opressor contemporâneo a João. Sua função é clara: alertar, desvelar e convocar à resistência espiritual diante de qualquer sistema que deseje ocupar o lugar de Deus.

O que significa chamar um poder de “besta” em linguagem simbólica? Por que João, o autor do Apocalipse, utiliza imagens tão fortes e enigmáticas para representar o mal? Como o conceito de “mar” ajuda a compreender o ambiente simbólico da besta — caos, multidão ou ambos?


2. A Besta e o Dragão: Uma Relação de Poder

O livro do Apocalipse é profundamente simbólico, e muitos dos seus símbolos mais impactantes são representados por figuras animais. Essas imagens não foram escolhidas ao acaso: evocam memórias míticas, ecos das Escrituras anteriores e, sobretudo, provocam o imaginário do leitor com sua força visual. Antes de nos aprofundarmos na figura da besta do mar e sua relação com o dragão, é importante observar quais são os principais animais que aparecem no Apocalipse — e o que eles representam dentro da narrativa apocalíptica.

Animais simbólicos no Apocalipse

Animal Referência Símbolo Como é descrito
Serpente antiga Apocalipse 12:9 Engano original; mal arcaico desde o Éden Identificada com Satanás e o dragão
Dragão vermelho Apocalipse 12 Satanás; perseguidor do povo de Deus Sete cabeças, dez chifres, cauda que arrasta estrelas
Besta do mar 1ª Apocalipse 13:1-10 Poder político mundial e opressor Dez chifres, sete cabeças, recebe poder do dragão
Besta da terra 2ª Apocalipse 13:11-18 Engano religioso e propaganda ideológica sedutora Parecida com cordeiro, mas fala como dragão
O Cordeiro Apocalipse 5; 14; 19 Cristo ressuscitado; redenção e vitória do bem Como morto, mas vivo e glorificado; centro da adoração
Quatro cavalos Apocalipse 6:1-8 Forças destrutivas no mundo: guerra, fome, morte Branco, vermelho, preto e esverdeado; cada um com um cavaleiro
Gafanhotos-escorpiões Apocalipse 9 Tormento espiritual; destruição interior Corpos como cavalos, rostos humanos, caudas como escorpiões
Águia no céu Apocalipse 8:13 Anúncio de juízo e advertência divina Grita em alta voz: "Ai! Ai! Ai!" aos habitantes da Terra

Essa profusão de imagens animalescas nos lembra que o Apocalipse não é um catálogo literal de eventos, mas uma construção simbólica profunda, onde cada criatura representa forças espirituais, políticas ou sociais em conflito. Dentre todas essas figuras, destacam-se três com um papel central na trama do mal: o dragão, a besta do mar e a besta da terra. Esses três personagens formam uma espécie de trindade distorcida, um simulacro da Trindade divina, com o objetivo de enganar, dominar e perverter a adoração verdadeira.

A partir daqui, vamos focar na relação entre o dragão e a besta do mar. Não se trata de dois personagens isolados, mas de uma conexão simbólica e teológica profunda — o dragão entrega seu trono e autoridade à besta, estabelecendo um governo de sedução e dominação que transcende impérios e épocas.

No Apocalipse, a figura do dragão é introduzida como símbolo de Satanás, “a antiga serpente” (Apocalipse 12:9), unificando as narrativas do Gênesis e do fim dos tempos. Ele não aparece sozinho: sua principal ação é delegar poder à besta do mar, que surge no capítulo seguinte (Apocalipse 13:1-2). Essa transferência de autoridade configura uma aliança maligna, em que o dragão atua como arquétipo do mal espiritual e a besta como seu instrumento histórico e visível.

A relação entre dragão e besta é cuidadosamente construída por João. O dragão permanece em segundo plano, quase invisível depois de sua derrota nas regiões celestiais. No entanto, sua atuação não cessa: ele transfere seu poder e trono à besta (Apocalipse 13:2), criando assim um sistema de dominação onde o mal espiritual assume forma política e cultural. É um tipo de encarnação ideológica do mal.

Essa estrutura revela a complexidade da teologia joanina: o mal não é apenas individual ou espiritual, mas se manifesta em instituições, sistemas e narrativas coletivas que promovem a adoração ao poder e a perseguição ao justo. A besta do mar é a face pública do dragão, o seu disfarce político, militar, propagandista e sedutor.

Vale destacar que essa “aliança entre dragão e besta” forma uma espécie de paródia grotesca da Trindade divina. No Apocalipse, o dragão (Satanás), a besta do mar (poder político opressor) e a besta da terra (engano religioso) formam uma trindade satânica, oposta ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.


3. Poder Político Mundial e Opressor

No capítulo 13 do Apocalipse, a primeira besta surge do mar (Apocalipse 13:1), uma imagem rica em simbolismo que representa o poder político mundial opressor. Ela é descrita com dez chifres e sete cabeças, recebendo autoridade do dragão (Apocalipse 13:2), o que indica uma dimensão espiritual maléfica atuando por trás das estruturas humanas de dominação.

O mar, nesse contexto apocalíptico e veterotestamentário (Daniel 7:3; Isaías 27:1), representa o caos das nações, um lugar de instabilidade de onde emergem forças ameaçadoras. A besta que dele emerge simboliza um sistema de poder que impõe domínio e exige adoração universal (Apocalipse 13:4).

Essa besta é tanto temida quanto reverenciada. Sua atuação é global, pois "foi-lhe dado poder sobre toda tribo, povo, língua e nação" (Apocalipse 13:7). Ela exerce domínio pela força e pelo medo, mas também por meio da propaganda e da sedução. Seu poder atinge ricos e pobres, livres e escravos (Apocalipse 13:16), revelando uma capacidade estatal absoluta e intrusiva — um poder que regula desde a economia até a religião.

Essa autoridade tem características essencialmente políticas. Trata-se do poder estatal em sua forma mais autoritária e totalizante. Pode se manifestar como império, ditadura, sistema de vigilância, perseguição religiosa ou ideologia travestida de lei. É o tipo de governo que não apenas administra, mas exige culto e fidelidade. A besta do mar representa esse Estado elevado à condição de ídolo, exigindo submissão total — um poder que subjuga, censura, pune e, ao mesmo tempo, seduz.

A descrição da besta com dez chifres e sete cabeças (Apocalipse 13:1) remete a imagens de totalidade e controle supremo. As cabeças podem simbolizar governos, e os chifres, forças militares ou políticas. Essa linguagem reforça que se trata de um sistema complexo, estruturado, com aparência legítima, mas fundamentado na opressão e na manipulação.

A exigência de culto (Apocalipse 13:8) revela sua natureza idólatra. Trata-se de um poder humano que ocupa o lugar de Deus, promovendo uma religião política — um culto forçado ao sistema, sustentado pelo medo e pelo encantamento ideológico. Por isso, sua atuação é descrita como "blasfêmia contra Deus" (Apocalipse 13:6).

Assim, a besta do mar representa as formas históricas e escatológicas de dominação política absolutista — reinos, impérios, ditaduras, mecanismos de controle global — que procuram submeter a consciência, a economia, a fé e a liberdade do ser humano. Um poder que atravessa séculos, se reinventa, e continua desafiando a soberania do Cordeiro.

Por fim, vale lembrar que à besta do mar está associado um dos símbolos mais enigmáticos do Apocalipse: o número 666 — ou, em algumas tradições manuscritas, 616 (Apocalipse 13:18). Esse número, que aparece ao fim da descrição da besta, carrega um peso simbólico profundo, ligado à ideia de imperfeição, repetição e código oculto de poder. Embora não o exploremos neste momento, ele será analisado com atenção em um tópico específico mais adiante, quando nos voltarmos à dimensão numérica e ideológica desse sistema de dominação. Por agora, basta reconhecer que o número faz parte da identidade simbólica da besta e reforça seu caráter sedutor, controlador e idolátrico.


4. Engano Religioso e Propaganda Ideológica Sedutora

No capítulo 13 do Apocalipse, após a descrição da besta que emerge do mar, surge uma segunda besta — esta que sobe da terra. Ela apresenta uma imagem bastante paradoxal: aparece com aparência de cordeiro, símbolo clássico de inocência e mansidão, mas fala como dragão, a figura da astúcia, engano e malícia (Apocalipse 13:11). Essa dualidade é fundamental para compreendermos sua função simbólica no texto apocalíptico (Beale, 1999).

A besta que emerge da terra

Diferentemente da besta do mar, que representa o poder político opressor e global, a besta da terra simboliza o poder ideológico-religioso que sustenta, legitima e propaga o domínio da primeira besta (Mounce, 1998). Sua origem "da terra" sugere um aspecto mais próximo e arraigado à realidade cotidiana dos povos, atuando na esfera cultural, espiritual e simbólica.

Aparência de cordeiro, voz de dragão

A imagem de um cordeiro que fala como dragão é profundamente simbólica. Enquanto o cordeiro evoca a figura de Cristo e a inocência, a voz de dragão revela uma natureza enganosa, falsa e corrupta. Essa besta é uma representação do engano religioso e da propaganda ideológica que seduz e manipula as massas, promovendo a adoração da besta do mar e instituindo um culto forçado (Apocalipse 13:12-15) (France, 2000).

Propaganda ideológica sedutora

Essa propaganda pode ser entendida por aqueles que sonham com um Estado perfeito, onde todos vivam felizes sem a presença de Deus. Depositam fé e esperança nas mãos humanas — de políticos e líderes religiosos. Tanto políticos quanto líderes religiosos usam discursos sedutores, baseados em promessas ilusórias e mentiras sutis, que encantam e seduzem aqueles que não possuem firme apego a Deus. Esse mecanismo é uma armadilha que alimenta o engano e reforça o domínio da besta da terra.

Milagres, imagens e imposição do culto

O texto descreve que essa besta realiza grandes sinais e milagres para enganar os habitantes da terra, chegando ao ponto de criar uma imagem da primeira besta que até fala e exige adoração (Apocalipse 13:14-15). Essa dimensão do simbolismo denuncia uma propaganda sofisticada, capaz de gerar adoração por meio da sedução e do medo, utilizando símbolos e rituais que mascaram a verdadeira natureza do poder opressor (Johnson, 2011).

O sistema de adoração forçada (a marca da besta)

A imposição de um selo ou marca na mão ou na testa, mencionada no capítulo 13, é a expressão máxima desse sistema de controle e submissão ideológica. Essa marca, que se tornou um dos símbolos mais conhecidos do Apocalipse, representa a adesão forçada a um sistema de poder que controla o acesso à vida social e econômica (Apocalipse 13:16-17) (Metzger, 1993).

Associado a essa marca está o enigmático número "666", tradicionalmente identificado como o "número da besta". Algumas variantes manuscritas antigas apresentam o número "616" como alternativa, ampliando a complexidade da interpretação simbólica. Estes números não são meros códigos, mas símbolos carregados de significado teológico e histórico, com o "666" representando a imperfeição máxima em oposição à perfeição divina simbolizada pelo número sete.

A análise detalhada desses números e sua relação com o sistema de dominação da besta será explorada em um tópico (título) específico, aprofundando o entendimento da simbologia e seu impacto nas interpretações apocalípticas.

Relações entre religião e dominação política

A besta da terra funciona como braço ideológico e religioso da besta do mar, demonstrando a íntima relação entre religião institucionalizada e dominação política. Essa cooperação simbólica aponta para sistemas históricos e contemporâneos em que a religião é instrumentalizada para justificar e perpetuar o poder opressor, utilizando o engano e a sedução para manter o controle social (Hagner, 2000).

O papel do engano na consolidação do poder

Por fim, o engano e a manipulação ideológica aparecem como ferramentas essenciais para a consolidação do poder da besta da terra. O uso de símbolos, rituais e discursos que aparentam legitimidade e santidade, mas que ocultam a opressão e o controle, reflete uma crítica profunda ao uso da religião como instrumento de poder autoritário e exclusivista (Collins, 2014).

Assim, a besta da terra é uma poderosa metáfora da propaganda sedutora, do engano religioso e da imposição ideológica que acompanham e sustentam os regimes políticos opressores. A compreensão dessa dimensão simbólica é crucial para uma leitura crítica do Apocalipse e para a reflexão sobre os mecanismos de poder e controle que se manifestam ao longo da história e ainda hoje.

Leitura dispensacionalista

Entre as interpretações mais conhecidas na atualidade, destaca-se a perspectiva adotada por alguns segmentos do adventismo histórico, especialmente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Segundo essa leitura, a "besta da terra" (Apocalipse 13:11-18) representaria os Estados Unidos da América como um poder político que, em aliança com a autoridade papal, promoveria um decreto global de observância do domingo como dia sagrado. A "marca da besta", nessa visão, estaria associada à imposição dessa prática em substituição ao sábado bíblico (Êxodo 20:8-11). Essa interpretação se baseia em uma leitura historicista e fortemente dispensacionalista das profecias bíblicas, além de nos escritos da autora Ellen G. White, figura de grande influência nessa tradição.

Embora essa abordagem tenha valor dentro de seu contexto teológico, é importante lembrar que ela representa apenas uma entre várias formas de interpretar o Apocalipse. Muitas leituras contemporâneas — inclusive dentro do próprio protestantismo — compreendem as imagens da marca e das bestas como símbolos de sistemas ideológicos, religiosos e políticos que se opõem ao Cordeiro e promovem engano, culto ao poder e manipulação da fé. Ao invés de fixar-se numa previsão literal, o Apocalipse convida a uma vigilância espiritual contínua e à fidelidade a Deus em meio às pressões do mundo. Nosso intuito aqui é respeitar diferentes tradições, mas também oferecer caminhos de reflexão que conduzam a uma fé lúcida, livre do medo e aberta à verdade.

Em tempos de múltiplas interpretações, é fundamental cultivar uma fé honesta: que respeita as tradições, mas também se permite questionar, aprofundar e discernir. O Apocalipse não exige medo, mas vigilância espiritual; não impõe rótulos, mas revela escolhas. A marca da besta não é apenas um símbolo futuro — é um chamado presente à consciência: a quem, de fato, entregamos nossa lealdade? Ao explorarmos essa questão, seguimos comprometidos com uma leitura que una conhecimento e humildade, coragem e reverência.

O dispensacionalismo é uma linha interpretativa cristã surgida no século XIX, que propõe uma leitura literal e sequencial das profecias bíblicas, dividindo a história da salvação em diferentes “dispensações” ou eras. Essa abordagem influenciou muitas visões apocalípticas contemporâneas, especialmente em correntes protestantes dos séculos XX e XXI. Um de seus principais formuladores foi John Nelson Darby (um pregador anglo-irlandês), seguido por Cyrus Scofield, (um pregador americano - Igreja Congregacional).

Cordialmente,
Prof. Jobson Victorino


📘 Nota ao leitor:
Este texto faz parte da coletânea Prelúdio Gênesis e está publicado aqui em versão fluida, preparada para leitura confortável em celulares.
A versão completa, com referências, atividades reflexivas e material de apoio, está disponível na página Biblioteca deste blog.

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